segunda-feira, 27 de agosto de 2007
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Coragem, substantivo feminino.
do Lat. cor, coração
s. f.,
firmeza de espírito, energia diante do perigo;
intrepidez;
ânimo;
valentia;
perseverança.
Assim vem no dicionário, mas há outro dicionário para mim, um de carne e osso que muito melhor demonstra o significado de todos os vocábulos acima escritos. Para mim coragem, substantivo, feminino sem sombra de dúvida, pode escrever-se apenas com três letras, pode soletrar-se MÃE.
A coragem, não é ausência de medo, mas sim a capacidade de mesmo tremendo e temendo enfrentar a vida com a cabeça erguida. Isto não vem no dicionário, mas eu sei-o bem por que o vejo há muito nos olhos da minha mãe.
Há cerca de sete anos foi-lhe diagnosticado cancro da mama, disse-mo um dia quando chegava da faculdade, sem rodeios. Lembro-me bem. Sem rodeios, iniciaram-se depois os tratamentos, a quimio e radioterapia e inevitavelmente a operação, a remoção do seio. Não sem medos, mas sempre com coragem e com uma fé inabalável, que não partilho mas admiro.
A minha mãe está hoje em recuperação de uma nova operação, em que lhe foi colocado um pacemaker para corrigir uma ligeira arrítmia cardíaca, nada de tão grave como os sustos anteriores mas ainda assim...
Ligou-me hoje à hora de almoço, preocupada comigo por eu estar com a garganta meio inflamada! Ligou-me de uma cama de hospital preocupada com a minha garganta!
A coragem, não é ausência de medo, mas sim a realização que o amor nos dá daquilo que verdadeiramente importa: apreciar a quem amamos e partilhar com eles a nossa vida, nos bons e nos maus momentos. Partilhar a nossa força e os nossos desesperos! Amparar e ser amparado!
Quem ama verdadeiramente é corajoso, a coragem nasce do amor! Mesmo antes de ser mãe eu própria pude aprender isto com a minha mãe, como sei que ela o aprendeu com a minha avó.
A coragem não é ausência de medo, a ausência de medo é a ignorância. Assim como a felicidade não é a ausência de tristeza, mas sim a presença de esperança!

A avó Carlota e a bisavó Júlia todas contentes!
Já agora aqui fica o link para um post onde se conta a história dos nomes dos xisbunhirgos (lembrei-me por causa da foto)
A avó Carlota e a bisavó Júlia todas contentes!
escrito às 15:15
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
A casa azul
A Casa Azul
No cimo de um monte verde, rodeada pelo cheiro das laranjeiras em flor e pelos sons das folhas das árvores a dançar ao vento havia uma linda casinha azul.
Tinha uma porta branca com uma janela, e uma maçaneta dourada que brilhava ao Sol quando, à tardinha, a grande estrela se ia deitar e por lá passava para dizer "Boa Noite!" Tinha duas janelas de cada lado da porta, com portadas de madeira branca que se abriam à noite deixando entrar o luar.
As telhas eram da cor das laranjas do pomar e cantavam ao som da chuva quando vinha a Primavera, felizes porque as núvens as tinham deixado limpinhas para que fizessem nos beirais seus ninhos as andorinhas!
Debaixo de um sobreiro ao lado da casa morava um ouriço caixeiro. Era tímido e gostava pouco das andorinhas barulhentas que esvoaçavam incessantemente em busca de alimento para os seus filhotes. Nos dias quentes de Verão o ouriço dormitava preguiçoso à sombra fresca da árvore e sonhava com ventos mais frescos e com o partir das andorinhas ruidosas!
Nas traseiras havia um poço de água fresca e um estendal com roupa branca a esvoaçar, meninos a jogar às escondidas entre os lençois e um canteiro de flores amarelas e brancas onde, por vezes, poisavam abelhas gulosas à procura de doce para o seu mel.
Lá dentro moravam a D. Felicidade, de longos cabelos aos caracóis e olhos castanhos doces. O seu marido, o Sr. Amor, que à noitinha tocava viola à lareira para fazer dançar o lume. E os meninos que dormiam em duas camas de madeira, uma verde e a outra branca. A verde era dum rapaz que se chamava Sonho e a branca de uma menina, chamada Vida. Eram gémeos, brincavam sempre em conjunto, nunca se separavam, até à noite sonhavam um com o outro.
por Raquel Henriques
(continua aqui)
Mais um pequeno conto da tal colectânea que a malta anda a tentar fazer... e então, cadê as contribuições? E já agora uma sugestão para o nome do site?

terça-feira, 14 de agosto de 2007
Dedicado a quem sabe viver!
uem morre?
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está
infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta
sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
(...)
Pablo Neruda
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
O Menino-Lua
Era uma vez há muitos anos, quando eu ainda era criança e tinha olhos e ouvidos de criança, encontrei certa noite perdido o Menino-Lua! Tinha entrado pela janela do meu quarto, de olhos cinzentos e cabelo cor-de-prata, estava com frio e assustado.
"Quem és tu?" Perguntei-lhe, não menos assustada. "Que fazes aqui? Vai-te embora ou eu chamo o meu pai!" E o menino chorava, baixinho. "Perdi-me! Vou todas as noites tomar banho ao mar, e falar com as minhas amigas estrelas. As estrelas do mar, porque as outras não gostam de mim, dizem-me que não as deixo brilhar, que as apago! Não querem estar perto de mim..." E soluçava "Mas, hoje não encontrei o mar, nem as estrelas minhas amigas, nem os peixes!"
"O mar é aqui perto menino, não tenhas medo!" Disse-lhe. "Eu ensino-te o caminho, se me levares contigo a falar com as estrelas e os peixes! Mas não podemos fazer barulho senão acordamos os meus pais, está bem?"
Limpando as lágrimas de prata o menino respondeu-me "Mas tu és uma criança, filha dos homens! Não falas a língua das estrelas do mar, nem a dos peixes! Não sabes voar nos raios de lua! Não te posso levar comigo, desculpa!"
"Tens razão, não sei nada disso" Respondi. "Mas porque não me ensinas tu todas essas coisas? Em troca ensino-te como chegar ao mar. Conheço bem o caminho, vou lá de dia com os meus pais, e tomamos banho nas ondas e brincamos com a areia da praia!"
"Para que queres saber tudo isso, se amanhã de manhã não te irás lembrar nem de uma palavra? Perderíamos tempo e não te serviria de nada!" E deixando cair tristemente a sua cabeça de prata acrescentou: "Os filhos dos homens tem a memória curta, não dura mais do que umas horas, o Sol fá-los esquecer a luz da Lua e apaga-lhes dos olhos os sonhos que a noite lhes traz!"
"Antes de conhecer as estrelas do mar, costumava visitar uma menina de cabelos dourados, como os teus, e olhos verdes da cor da relva ao Sol! Brincávamos e ríamos muito os dois! Ensinei-a a voar nos raios de luar e jogavamos às escondidas nas nuvens!"
"Vês!" Interrompi. "Afinal sempre podemos brincar os dois como brincávas com essa menina! Vamos, ensina-me a voar nos raios de luar e vamos brincar na praia os dois!"
"Mas... tu não percebes! A menina eras tu! Todas as noites que brincámos: esqueceste-as! Sempre que te vinha ver tinha de ensinar-te tudo novamente! Nunca te lembrávas de mim! Por mais que prometesses que na noite seguinte seria diferente, era sempre igual. Quando eu chegáva assustávas-te, depois vias-me triste e querias ajudar-me! E eu contava-te os segredos da Lua e ensinava-te a apanhar os raios de luar..."
"Oh, desculpa-me!" Respondi, aproximando-me dele. Percebi a tristeza nos seus olhos, chorei também por não me lembrar, por nunca me ter lembrado. "Não fiz de propósito, não tenho culpa de me esquecer... Porque não me ensinas esta noite também? Podíamos brincar como das outras vezes!"
"Hoje não tenho vontade de brincar!" Disse o Menino-Lua. "Sei que não tens culpa, mas sei também que o dia virá em que não só não te lembrarás de mim como não me verás quando entrar no teu quarto! Não ouvirás a minha voz nem poderás aprender a brincar comigo! Não quero cá vir nesse dia, por isso não vou voltar. Prefiro conversar com as estrelas do mar e os peixes, eles não podem voar comigo mas nunca se esquecem de mim."
Soluçando abracei-me ao Menino. "Não quero esquecer-me de ti! És meu amigo! Não quero deixar de ver os teus cabelos de prata e ouvir a tua voz a sussurar no meu ouvido!"
"Eu sei!" Respondeu o Menino-Lua "Mas nada o pode impedir. Não fiques triste, não vais lembrar-te de nada! Não vais sentir saudades minhas! E eu voltarei para o mar e brincarei com as estrelas e os peixes, e um dia virei ver-te quase ao raiar da manhã. Virei ver também outra menina a quem estarás a embalar e que, enquanto dormir nos teus braços, brincará comigo nas núvens e conversaremos os dois com os peixes e as estrelas do mar. Até que um dia ela não consiga mais ver-me e me deixe triste e perdido de novo!"
por Raquel Henriques
Este texto faz parte de um projecto de colectânea de contos que andava a preparar para os xisbunhirgos. Mas hoje surgiu-me uma ideia, daquelas malucas do costume. A ideia é criar um suporte digital interactivo para os contos com ilustrações originais, tipo um livro digital. E eventualmente fazer um site para os colocar, para que possam ser lidos por mais meninos. Ok, mais um projecto megalómano meu, mas já que sei que também há por aqui gente amadora da escrita, resolvi publicar este conto meu, na esperança de angariar contríbuições (contos e/ou ilustrações originais) para a tal colectânea! 
Acabou-se o que era doce!
E lá voltámos à rotina matinal do tira os putos da cama, enfia biberons nos putos, enfia os putos no carro, deixa os putos na avó, enfia o carro no estacionamento, tira portátil da bagageira, enfia rabiosque na cadeira e cola nariz ao monitor para ler as quase 2 centenas de mails que me estão a entupir a caixa de correio!
Puf puf... e já só faltam 94 mails por ler.... puf puf!
Acabaram-se as férias viva o trabalho! Viva!
sábado, 11 de agosto de 2007
Relato sumarizado das nossas primeiras férias a 4!

Fomos a Miranda do Corvo, onde ficámos na Estalagem Quinta do Viso, que recomendo vivamente. A Vila é lindíssima, e fica bem perto de Conímbriga, Condeixa e Coimbra onde pudemos visitar o "Putugal dos Macaninos" Samuel dixit!
Depois dos passeios, das chanfanas (estufado de carne de cabra, nham nham!) e de banhocas na piscina onde o Samuel finalmente se habituou a estar sem receios e onde já começa a dar aos pézitos bem agarrado ainda, é claro, a mim ou ao pai.
Segue-se um pequeno àparte demonstrativo da esperteza do petiz:
Desde há algum tempo que a avó (que fica com ele durante o dia) lhe anda a dizer, não sem alguma verdade, que tem de deixar a chucha porque esta, passo a citar "faz borbulhas".
Durante o nosso pequeno almoço no segundo dia na estalagem o Samuel retirava cuidadosamente o "filambe" do pão onde o pai o tinha colocado em conjunto com uma fatia de queijo e comia o dito fiambre, deixando o pão e o queijo no prato. Intrepelado sobre este facto o xisbunhirgo responde de peito cheio que não pretende comer o pão porque e passo a citar (agora o petiz, não a avó) "o pão faz borbulhas!".
Pasmei e entre risos ainda tentei contra-argumentar que o pão não lhe iria provocar qualquer tipo de reacção cutânea, muito menos as temidas borbulhas, mas disso é claro estáva o malandro bem ciente, o que o não impediu de tentar convencer-me do contrário repetindo insistentemente que o "pão faz borbulhas!".
No caminho de volta ainda deu para passarmos por São Pedro de Moel para ver o mar e a praia.
Chegádos a casa, aprontámos novamente as toalhas e apetrechos de praia e raptámos a avó Lina para uma rapidinha até à Lagoa de Santo André.
No dia seguinte, e porque a praia se impunha novamente fomos para a linda serra da Arrábida. Para a praia de Galapos que embora seja muito porreira e me traga excelentes recordações de quando era míuda, é um sítio complicado para se ir com bebés de cólo.
Infelizmente caí e fiz do-dói ao tentar encontrar um caminho (estupida e desnecessariamente, porque existem umas escadas bem mais faceis de transitar) pelo matagal da falésia para a praia. Ainda fomos à praia, descendo as bemditas escadas, mesmo com os meus joelhos esfolados, que eu não sou moça de desistir ao primeiro ou segundo contra-tempo, mas isto ficou feio e lamento informar que, pelo menos no meu futuro mais imediato não constam agendamentos de novas idas até à praia.
Vejam no flickr as restantes fotos das fabulosas férias de 2007, as nossas primeiras férias a 4!
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
E agora que estão quase a acabar...
... aqui fica uma manta de retalhos fotográfica do que foram as nossas fabulosas férias deste ano!







(mais fotos aqui)
domingo, 5 de agosto de 2007
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Vamos passear!
Ora está decidido e marcado, amanhã faremos o check-in no nosso idílio bucólico deste ano.
Vamos para Miranda do Corvo, vamos passear! [inserir aqui ruído de esfregar 8 mãos, pulinhos, guinchinhos e similares ]
Vamos ver sítios bonitos como estes!




Depois ponho fotos nossas 
Bjocas,
pOOka
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Sushi Baby!
Fomos almoçar (ontem) a um restaurante nipónico, nada de muito fino, mas foi giro ver o Samuel olhar para a comida a passear nos tapetes rolantes e apontar para os pratinhos que se aproximavam: "Aquilo, aquilo!"

A Jú dormia no seu carrinho, ainda não é altura destes manjares para a nossa caçulinha!
Mas o Samuel gostou, especialmente das batatas fritas
e do Teriyaki!
escrito às 13:26
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
10 meses de Júlia!
O tempo corre filha, e qualquer dia, não falta muito, correrás tu também, rindo atrás do mano e eu atrás de vós.
Para já é tempo de aproveitarmos os minutos que disponhomos para ver-te crescer, para ver-te sorrir, gatinhar! Aproveitas qualquer apoio para te pores de pé! Gostas de ver o mano brincar, gostas quando ele te dá atenção.
Ontem, na festa de anos do tio deitávas legos para o chão para o tolo do teu irmão os apanhar, e depois deitava-los novamente ao chão! Riam-se os dois a bandeiras despregadas! O teu irmão de tal forma gostou da brincadeira que quando a mana não atirava os legos para o chão, atirava-os ele!
Ele imita os teus sons "qui-te-gô!" e aponta para ti, como quem diz vês eu conheço bem a tua lingua! 
Quando lhe chegam os ciúmes diz "na gôta dela" mas gosta sim, gosta de ver-te rir, atenta espectadora das suas muitas tontices!
Quando chegáste eras assim:

So are you to my thoughts as food to life,
Or as sweet-season'd showers are to the ground;
And for the peace of you I hold such strife
As 'twixt a miser and his wealth is found;
Now proud as an enjoyer and anon
Doubting the filching age will steal his treasure,
Now counting best to be with you alone,
Then better'd that the world may see my pleasure;
Sometime all full with feasting on your sight
And by and by clean starved for a look;
Possessing or pursuing no delight,
Save what is had or must from you be took.
Thus do I pine and surfeit day by day,
Or gluttoning on all, or all away.
William Shakespeare
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