segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A ti! A mim! A nós!!!!

Mais um ano pleno de passos para frente, passos para trás, impasses tristezas e alegrias. Mais um ano em que provámos que sabemos crescer os dois, os quatro agora!

Mesmo que nem tudo seja fácil, nem tudo seja bonito e amoroso, sabemos olhar-nos nos olhos e ver para lá dos problemas aquilo que realmente interessa! Sabemos apagar o desespero e transformá-lo em vontade de mudar, em vontade de realizar a nossa felicidade!

Por isso não vou fazer balanços do ano que passou, nem inventários do que foi bom ou mau, tudo isso está escrito na nossa pele, lê-se como braille nas rugas que vão surgindo com a idade e que registam a nossa condição de humanos.

Deixo aqui nas palavras de Joe Dassin, um dos favoritos dos meus pais, um brinde, a ti, a mim, a nós e a todos esses milhares de apaixonados, que são como nós!



A toi! A la façon que tu as d'être belle
A la façon que tu as d'être à moi
A tes mots tendres un peu artificiels
Quelquefois
A toi! A la petite fille que tu étais
A celle que tu es encore souvent
A ton passé, à tes regrets
A tes anciens princes charmants
A la vie, à l'amour
A nos nuits, à nos jours
A l'éternel retour de la chance
A l'enfant qui viendra
Qui nous ressemblera
Qui sera à la fois toi et moi
A moi! A la folie dont tu es la raison
A mes colères sans savoir pourquoi
A mes silences et à mes trahisons
Quelquefois
A moi! Au temps que j'ai passé à te chercher
Aux qualités dont tu te moques bien
Aux défauts que je t'ai caché
A mes idées de baladin [...]
A nous, aux souvenirs que nous allons nous faire
A l'avenir et au present surtout
A la sante de cette vielle terre qui s'en fout
A nous! A nos espoirs et a nos illusions
A notre prochain premier rendez-vous
A la sante de ces milliers d'amoureux
Qui sont comme nous [...]

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A prenda mais linda!


Foi esta! A que nos deu o Samuel feita na escolinha com a ajuda da educadora e pintada pelo xisbunhirgo!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Uma história complicada, o rescaldo do Natal

Este foi o ano para o xisbunhirgo primogénito em que o Natal começou a ganhar algum sentido. Entendeu muito bem que era a festa do bebé que é o Menino Jesus e que a Mamã é a Maria e o papá é o José, e que nasceu ao pé do burrinho e da vaquinha, nas palhinhas. Percebeu o presépio todo. Mas depois veio a história do Pai Natal e essa parte é que começou a baralhar um pedacinho as ideias na sua cabecita loura. Surgiu a primeira dúvida (na sequência de, por alguma razão que desconheço, a minha sogra ter inventado de cantar os parabéns ao Pai Natal) - "Mamã, o Pai Natal faz anos hoje?" "Não, filho quem faz anos é o Menino Jesus, porque nasceu neste dia!" "Ah... pois é...!" disse pouco convencido. "E a árvore de Natal, é do Pai Natal?" "... errr... hum... não filho esta é nossa, mas o Pai Natal lá há-de ter a dele!"

Passados alguns minutos o Samuel sai-se com a proverbial pergunta de um milhão de euros "Ó Mãe, de onde veio o Pai Natal? (depois de ter ouvido uma conversa entre o pai e o tio sobre os anúncios de uma conhecida bebida) Veio da coki-cola?" Risota geral!

Ah filho da mãe do Pai Natal que vieste complicar a história toda! Resultado, não é fácil explicar tradições com pouco sentido ao meu filho, ou têm uma origem bem delineada e firmes bases ou esqueçam! Ao puto cheira-lhe logo a esturro! E as prendas sabe perfeitamente quem lhas dá! Vêm com muito amor e carinho dos pais, dos avós, dos tios, dos amigos e é a esses que agradece com um sorriso nos lábios! Daí que o Pai Natal lhe soe assim um pedacinho estranho, não percebe bem qual é o seu papel nesta história toda!

Definitivamente o senhor barbudo da "coki-cola", suposto dono da nossa árvore de natal, não terá pegado muito lá por casa. Sinceramente até prefiro que assim seja, o Natal é bonito por si só, enquanto a história do nascimento de Cristo! Os re-aproveitamentos de lendas semi-pagãs nórdicas por publicitários do século XX só vêm complicar a coisa!

De resto o Natal foi muito bem passado, nas palavras do pai Buno "ficámos todos a nadar em plástico e papel de embrulho" sendo que o plástico eram os brinquedos da Ju e do Samuel. Começámos a abrir as prendas pouco depois de jantar e era já quase meia-noite quando se acabaram os embrulhos! Foi uma excelente opção não aguardar, caso contrário antes das 3 da matina ninguém se deitava! A Ju adormeceu por volta das 21h30 mas acabou por acordar e ainda brincou com as prendas, que entretanto o irmão já tinha aberto por ela!

Oops é verdade, chegaram finalmente as fotos que o Sam tirou na escolinha! "Ora sai uma foto Sr Fotógrafo! Pode assim com este ar de maroto, pode?"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Festa de Natal da escolinha do Samuel!

Antes da festa, os fãs aguardavam ansiosamente o ínício do espetáculo!

Durante a festa todas as crianças foram estrelas!!!

Depois da festa, o meu pequeno xilofone!


A Julinha, fã número um do xilofone louro mais lindo do mundo, portou-se como uma anjinha bebé durante todo o espectáculo!


Juro que até uma ligeira lagriminha me escorreu assim pelo canto do globo ocular durante a peça... ai que com a idade estou a ficar lamechas!

Feliz Natal a todos!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A "netiqueta" do e-mail e algumas questões de segurança!

Nesta altura em que as minhas (várias) caixas de correio electrónicas rebentam pelas costuras achei por bem escrever um pouco sobre algumas atitudes correctas relativamente ao correio electrónico, que para além de tornarem muito mais simpática a leitura das mensagens que recebemos ou enviamos, ajudam também a manter o nosso pc mais seguro.

O email é a fonte mais comum de infecção por vírus ou outros programas nocívos (geralmente chamados malware), seja através de ficheiros anexos infectados ou infectantes, seja através da difusão de links que apontam para o download mais ou menos dissimulado desse tipo de software.

Para além de ser uma fonte de vírus o email é ainda uma fonte de dinheiro para os chamados spammers. Recolher endereços de email válidos e vendê-los por atacado a empresas que depois os utilizam para fins publicitários é um negócio rentável. Já alguma vez se questionaram sobre qual é objectivo de mensagens como "a SonyEricsson, ou a Nokia darão um telemóvel a quem enviar a milionésima mensagem de email..." ou "um pobrezinho vai receber 5 cêntimos por cada email enviado..."? Estas cadeias de email vão recolhendo um rasto de endereços de email para quem vão sendo enviadas e, enventualmente, ao retornarem ao remetente original vão carregadinhas de todos os endereços de email por onde já passaram.

Então como evitar estas duas situações? Não é necessário nenhum programa especial de corrida, nem tão pouco largos conhecimentos de informática, basta apenas que se sigam alguns princípios na utilização do email muito simples e usar uma boa dose de bom senso!

1. Nunca sigam links ou abram ficheiros de pessoas que desconhecem ou até das que conhecem se parecerem suspeitos. Até mesmo quando parecem provir de empresas (como a Microsoft ou a Nokia... etc) os emails podem ser forjados muito facilmente. Pensem antes de clicar. Tenho recebido alguns emails que estão em voga no momento e que aparentemente vêm da Microsoft. Dizem-me que a minha conta do Hotmail vai ser fechada ou banida, e pedem-me, pouco educadamente aliás, que instale uma "ferramenta de segurança". Ora enviar este tipo de emails não seria algo que uma empresa que investe tanto dinheiro na fidelização de clientes faria. As falhas de segurança do Windows não são poucas mas são colmatadas pela instalação dos updates da própria Microsoft (geralmente realizados a través do site http://windowsupdate.microsoft.com podendo até ser automaticamente iniciadas pelo PC). Eles não enviam emails deste género!

Neste caso o engodo está relativamente bem dissimulado, os links parecem ser da Microsoft, mas na realidade apontam para um site brasileiro. Outras pérolas pedem-me para ir ver um vídeo no YouTube, ou para ver uma foto ou um power point de alguém que presumivelmente seria meu amigo/a e me teria encontrado. Um dos mais bem sucedidos no espectro de utilizadores masculinos é um link que diz "me veja peladinha!" (ui, os homens são tão fáceis de enganar ).

2. Re-enviem apenas aquilo que tem realmente interesse e fonte comprovada e ao fazê-lo NUNCA se esqueçam de ao enviar para uma lista (vários endereços) colocar todos os endereços (ou a lista) no campo BCC (blind carbon copy) desta forma garantem duas coisas:
- não há recolha de endereços de email por ninguém (porque o destinatário apenas vê que a mensagem foi enviada para si, não vê os endereços dos outros destinatários)
- não estarão a divulgar os endereços de email dos vossos amigos a terceiros sem o seu consentimento (por exemplo: eu envio para um amigo um email a título pessoal da minha caixa de correio da empresa, o meu amigo coloca esse meu endereço numa lista e envia anedotas para 50 pessoas, as anedotas até são giras mas entretanto 50 pessoas ficaram a conhecer o meu endereço profissional, algo que eu nunca teria pretendido).

Quando rencaminharem emails que já tragam endereços de outros re-encaminhamentos, removam-nos também.

Se aderissemos todos as estas regras simples abrir a nossa caixa de email seria muito mais agradável!!!


PS: Não é objectivo deste post criticar ninguém, mas sim alertar para algo que por vezes fazemos sem pensar e que pode prejudicar-nos a nós ou às pessoas com quem nos correspondemos! Espero que me desculpem a ousadia e a ligeira petulância mas hoje tive duas coisinhas más quando vi que tinha 1600 emails por ler!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Postal de Natal Electrónico (primeiro ensaio...)

E se isto vos aparecesse na vossa caixa de e-mail... gostavam?


Estamos em plenos preparativos para a festarola de Natal da escolinha do Samuel, vai ter direito a uma túnica branca (um belo lençol costurado) e até o pai concorreu para ser o Pai-Natal... é pena a escolha ser por sorteio porque se fosse por mérito a sua barrigota de "bonus pater familia" garantia-lhe a vitória!

De resto, há apenas a anotar uma tosse chata que atacou a Juju, não a deixa dormir e ela não deixa dormir mais ninguém! [inserir aqui um longo suspiro de quem quase não dormiu na noite passada!]

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mais uma manhã de bochechas sequinhas!

Beijinho na mamã, até logo e vou-me embora, sem choro, sem ter de arrancar-lhe da mão a baínha da minha saia, sem que tivesse de ficar ao colo de ninguém!

O xisbunhirgo ainda diz que não gosta, mas o que é certo é que a "min'a 'cola" lhe está a fazer um bem danado. Na sexta feira à noite fomos às compras. No centro comercial estáva, como é usual nesta época, um Pai Natal barbudo para falar com os meninos. O Samuel, que em anos anteriores não quer nem sequer ouvir falar em chegar perto de tal personagem, fez este ano questão de lá ir bem pertinho, falou com ele, recebeu um livrinho de prenda, não lhe quis dar beijinhos mas deu-lhe uma valente "bacalhauzada".

Está mais solto com as pessoas, mais decidido naquilo que quer! Nunca pensei que em tão pouco tempo fossem tão visíveis estes benefícios que já eram esperados da sua ida para a o jardim de infância, isto é nós sabíamos que este novo passo traria ao Samuel novas capacidades, mas nunca pensámos que isso fosse acontecer tão rapidamente.

A Júlia anda a esticar, já vai no percentil 90 de altura, e parece não querer parar! Come que se não houvesse amanhã e as dobras das calças tamanho 80 vieram hoje para baixo para tapar o tornozelo que já ficava de fora!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Uma manhã de muitos azares mas sem lágrimas!

Putos encasacados e encapuçados, sacos nas mãos, mochilas às costas e já passava das 8 e meia quando chegámos hoje à garagem, prontos para o embarque no bólide familiar. Mas, aí chegados, um pneu completamente vazio esperáva por nós, desmaiado e roto o pobrezinho, esvaíra-se durante a noite pela calada.

E agora? Samuel hoje vamos para a escolinha a pé, a Ju fica aqui com o papá que vai mudar a roda do carro!

E fomos, a corta mato, para ser mais rápido! A fugir do "pantásma" (novo jogo do Sam, corre e puxa-me pela mão para correr eu também e diz que vamos a fugir do fantasma), depressinha. Chegámos à escolinha, vestimos o bibe, pendurámos os abafos no cabide e encaminhou-se o xisbunhirgo para a sua salinha, sem lágrimas, nem birras ficou.

Esta já não me acontecia desde o primeiro dia em que lá ficou sem chorar mas também sem saber muito bem ao que ía. Mas bolas, espero que o truque para a ausência de choro não seja ir lá leva-lo todos os dias a pé, é que as manhãs estão frias e a chover não se pode ir a corta-mato!

Depois, quase mais uma hora à espera que o marido trocasse o pneu... Houve um azar com um parafuso de segurança e teve de chamar ajuda, bem... foi uma pequena novela. Entrenato a Ju começa a ficar com fome e sono e, outra novela. Quando finalmente conseguimos ter os putos entregues e o pneu suplente no lugar do falecido fomos à oficina para comprar pneus novos e lá se foram, assim numa manhã, quase 400 euros (aproveitámos e trocamos logo os pneus todos)... puf, puf.

Amanhã o Samuel vai ao teatro com os meninos da escolinha! Vai ser a sua primeira saída! Acho que vou passar a manhã a fazer figas, mas entrentanto já deixei lá na escola para amanhã uma daquelas cuequitas de treino semi-impermeáveis e relativamente absorventes para ele levar amanhã, não vá o diabo tecê-las.

Agora vou ali beber um cházito caladinha num canto e bem escodidinha que o dia hoje ainda não acabou, e as catástrofes não gostam de andar sózinhas!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ainda sobre a compaixão e o tal "segredo" que nunca o foi!

Compaixão é a verdadeira essência de uma vida espiritual e a prática central daqueles que devotaram suas vidas para alcançar a iluminação. É a raiz das Três Jóias Supremas: Buda, Darma e Sanga.

(...)

O que é exatamente compaixão? Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento.

Às vezes, desejamos que alguém se livre do sofrimento por razões egoístas; isso é bastante comum nas relações que se fundamentam principalmente no apego. Se nosso amigo estiver doente ou deprimido, poderemos desejar que se recupere depressa para desfrutarmos novamente da sua companhia; mas esse desejo é basicamente autocentrado, não é verdadeira compaixão. A verdadeira compaixão baseia-se, necessariamente, na motivação de apreciar os outros.

Embora já tenhamos algum grau de compaixão, no momento, ela é bastante parcial e limitada. Quando os nossos familiares e amigos estão a sofrer, facilmente sentímos compaixão por eles, mas é bem mais difícil sentirmos solidariedade por estranhos ou por pessoas que achamos desagradáveis.

Além do mais, sentimos compaixão por aqueles que estão a sofrer dor manifesta, mas não por aqueles que desfrutam de boas condições e menos ainda pelos indivíduos que cometem acções nocivas.

Se realmente quisermos realizar nosso potencial e alcaçar a plena iluminação, temos que aumentar o alcance da nossa compaixão até que ela consiga abranger todos os seres vivos sem exceção, como faria uma mãe amorosa que sente compaixão por todos os seus filhos, independente de estarem a agir bem ou mal.

(...)


in "Transforme a sua vida" por Venerável Geshe Kelsang Gyatso.

O que sai fora da norma aqui é a afirmação que devemos sentir compaixão não apenas por quem está a sofrer, mas mesmo por quem não sofre e tem uma vida boa, ou até mesmo por quem é mau ou pratica más acções. Este sentimento não é um dado adquirido, é um processo. Um processo de aproximação aos outros, não apenas a alguns a mas a todos os outros, o texto faz uma analogia interessante com a maternidade e a nossa capacidade enquanto mães de perdoar e nos compadecermos dos nossos filhos mesmo que eles se portem mal. O acto da compaixão não é apenas benéfico para o receptor da mesma mas é, acima de tudo, vantajoso para o autor.

É através da compaixão que realizamos a nossa felicidade, a nossa paz interior - isto não é segredo para ninguém, quando resolvemos um conflito ou saímos da nossa rotina para ajudar alguém ainda que simplesmente através de um sorriso, experimentamos uma sensação agradável.

Ontem numa conhecida livraria vi passar por mim alguém que levava consigo não um exemplar mas três de um livro muito em voga no momento: "O Segredo" devo confessar que depois de um folhear relativamente pouco atento do livro em questão fiquei com a sensação que aquilo se foca muito na realização material como meio para obtenção de felicidade, e que parte de uma premissa errónea de que as pessoas felizes e realizadas são todas capazes de enriquecer facilmente.

A base da tal "lei da atração" e do dito livro - e de uma colectânea (eu contei 4) de livros sobre o livro - é um reaproveitamento de algo comum à maior parte das religiões, um princípio que dita que a quem faz o bem e é bem intecionado, no fundo quem pense coisas positivas e actue segundo esse optimismo mais cedo ou mais tarde acontecem coisas boas (para Judeus, Cristãos e Muçulmanos as coisas boas serão ir para o céu, ou merecer a protecção e ajuda divina; para Budistas será o "karma").

Ora que treta! Afinal o tal segredo nada mais é do que uma doutrina de re-pescagem de algo que a humanidade sabe há milénios, tudo coisas que ao invés de serem segredos foram bradadas aos céus por inúmeros profetas, sábios e filósofos durante todo este tempo! Mas pronto, chamar-lhes "segredo" sempre valeu aos autores da dita re-pescagem uns trocos adicionais.

Mas é exactamente nisto dos trocos que me parece estar a principal falácia do tal "segredo". No fundo o livro pega nos sentimentos hedonistas de satisfação pessoal que são comuns a todo o ser humano e no conceito do "poder da mente e do pensamento positivo" e leva-nos a "dar uma volta". E esta "volta" afasta-nos daquele princípio universal comum também à maior parte das religiões e filosofias antigas que é o da riqueza interior ser muito mais válida e conducente à felidade do que a riqueza material.

O grande senão de livros como o tal "Segredo" é colocar o enfoque na obtenção de riqueza exterior. Quando seria muito melhor que procurássemos a riqueza interior, porque, ao contrário da outra, ela nunca nos decepciona. E é esta, a interior, a única riqueza capaz de nos trazer a paz e a felicidade que almejamos. A riqueza material é, mais vezes do que o que parece, até mesmo um obstáculo ao nosso progresso interior do que um coadjuvante da nossa felicidade.

Eu sei, isto anda muito metafísico por estes lados perdoem-me.

Quantos aos Xisbitos eles vão lindamente, o Samuel recomeçou a escolinha após o interregno da semana passada em casa da avó. A Jú está a passar uns dias com a madrinha onde pode brincar com a Nina, uma cadelinha "a pilhas" que só quer brincadeira, e receber todos os mimos da madrinha!

E quanto ao tal livro não se ofenda com o que eu disse quem o comprou ou pensa comprar, é apenas a minha humilde opinião e reconhecidamente formada sem sequer ter lido devidamente o objecto da minha crítica. Perdoem-me novamente!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Covardia, Crueldade, Prudência e Compaixão!

in Público.pt
Tribunal da Relação deu razão a despedimento de cozinheiro com HIV

O Tribunal da Relação de Lisboa considerou justificado e legítimo o despedimento de um cozinheiro infectado com HIV que trabalhava na cozinha de um hotel, confirmando decisão semelhante já tomada pelo Tribunal de Trabalho de Lisboa.





Por causa desta notícia pus-me hoje a pensar um pouco nesta questão. Não me tenho por grade entendedora na matéria e a minha experiência pessoal deste género de situações ainda que existente é consideravelmente limitada, no entanto tenho dificuldade em não me pronunciar sobre este assunto.

Hoje em dia a linha entre o que pode ser considerado medo irracional, covardia geral e massificada ou um acto ou acções prudentes e preservantes do bem estar geral é extremamente ténue, e na minha humilde opinião, é espezinhada constantemente.

Num mundo cheio de fantasmas horrendos como o terrorismo, o ódio racial e religioso, o HIV-SIDA, as armas nucleares e químicas, o aquecimento global e as impendentes catástrofes naturais... e tantas outras coisas! Neste mundo assim cravejado de medos somos tantas vezes levados a cometer injustiças e aberrações que têm por exclusiva base o medo irracional que sentimos ao sermos confrontados com estas tristes probabilidades da existência terrena!

Não posso deixar de sentir-me um pouco como alguns dos comentadores da notícia que afirmavam: ainda que ínfima a probabilidade de infecção não sujeitariam a ela os seus filhos.

Mas posso dizer que sei o quão irracional este medo é. Essa probabilidade existe sem dúvida, mas é infinitamente menor do que ser-se atropelado numa passadeira, e não vou impedir os meus filhos de atravessarem a rua numa passadeira, desde que tenham verificado no melhor das suas possibilidades que não há risco previsível em fazê-lo. Mas não haver risco previsível, não significa é claro que ele não exista.

Contudo, no lado oposto a todos estes medos está um valor que espero vir a conseguir incutir nos meus fihos, um valor que deve imperar sobre a natural covardia do ser humano - a COMPAIXÃO!

E o que senti ao ler a notícia deste senhor que perdeu o emprego foi que infelizmente ele perdeu muito mais do que uma profissão ou um ordenado. Ele perdeu a sua humanidade com esta decisão. E, embutidos deste medo irracional, nós - a sociedade - perdemos a capacidade de nos compadecermos dele na sua condição de ser humano e de o respeitar enquanto tal.

Perdeu este senhor o direito à nossa compaixão, que deveria sobrepor-se ao medo irracional de sofrer o mesmo que infelizmente ele sofre, que nos faz tomar uma probabilidade infíma como um risco previsível!

Recordo-me que quando a Ju nasceu havia, horas antes, na mesma sala sido feita uma cesariana a uma mulher portadora de HIV. Que eu tenha sabido disso já foi uma violação da sua privacidade (desnecessária, totalmente desnecessária).

Mas depois, para cúmulo, pude também observar como a pobre mulher (por sinal também de etnia africana) era tratada! Cortava-me por dentro! Fui "informada" pelas auxiliares para ter cuidado no contacto com a referida senhora dado ser a mesma uma "infectada", caridosas almas que me alertaram para esperar pelo próximo elevador para não ficar tão perto dela!

Partíamos ambas numa romaria diária para a sala de neonatologia onde estavam os nossos bebés. Tomei sempre o mesmo elevador e, apesar das advertências, chorei com ela, abracei-a, abrançando de seguida a minha filha. E porque corri eu este risco? Porque naqueles dias para mim ela era apenas uma mãe, cujo filho se encontrava, como a minha, numa incubadora. Ela vivia a incerteza de ter ou não contagiado o bebé, eu vivia a incerteza de saber se poderiam haver sequelas do incidente com o liquido nos pulmões da Ju. Eramos ambas mães, a sua dor era infinitamente superior à minha, mas eu senti-a.

Sentia-a de cada vez que alguém se afastava dela ou do seu bebé, por receio, por covardia, irracional e cruelmente. Voltaria a abraçá-la a enxugar as suas lagrimas e a beijar o seu bebé? Claro que sim! Mesmo que isso significasse um risco para mim e para a minha filha? Claro que sim, sem pestanejar!

Por isso espero que, em face de tudo o que de mau há no mundo, saiba a Humanidade manter sempre acima de todos os receios, tanto os mais infundados como até os menos, as virtudes da compaixão e do amor, que nos deverão tornar corajosos para enfrentar os perigos que nos rodeiam.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!


Florbela Espanca

Já disse algures e volto a afimar que a felicidade não é a ausência de tristeza, mas sim a presença de esperança. Por isso sim, sou feliz. Ainda que esteja triste, por vezes. Por saber que nem tudo o que de bom tenho sempre dura. Por ver que às vezes o pó da estrada em que viajamos nos tolda a vista e até do amor que nos movia nos esquecemos.

Que tinha eu nesses tempos de riso solto que agora me falta? Nada! Nada me falta, tenho tudo! Mas tanto do que tenho deixei em parte incerta!

E choro o que perdi, mas ainda tenho... o que de mim escondi ou escoderam!

E escondo as lágrimas que não correm, que me lavam a alma empoeirada, e que me lembram que por baixo da rotina, do pó dos dias e dos meus medos, me bate ainda no peito o meu motor, aquele que me trouxe aonde estou! Que anda empoeirado e tosco, mas sempre comigo o meu Amor.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Manta de Blogs!

Às vezes perguntam-me porque tenho tanto trabalho a fazer templates para blogs, sem que (na maior parte dos casos) receba nada em troca!

Eis a resposta: poder olhar para um ecran assim e saber que todas estas pessoas foram de alguma maneira tocadas pelos meu "bonecos", que recorrendo a eles puderam mostrar o seu ego virtual com umas roupinhas mais janotas! Isso para mim, é já pagamento suficiente!

Aqui fica uma pequena colcha de blogs que usam templates meus, há mais... ainda há mais é verdade, mas não cabiam todos, foram sendo abertos sem ordem especial!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Hoje é dia de Magusto!

Na escolinha do Samuel vão haver castanhas assadas!

"Queres ir comer castanhas?" "Não." "E queres ir brincar com os meninos?" "Não. Não gota dos meninos, não gota das meninas!..." Mmmm, Gostar até gosta mas estamos em fase de negação!

Mas é fim-de-semana de S. Martinho e isso significa duas coisas: castanhas assadas e os anos da avó Carlota, que este ano está um pedacinho constipada...

Mas agora, notícias da Juju! A Juju anda linda e feliz nas suas sete quintas, com duas avós a vovó Lina e a bisavó "Lelé" a cuidar dela!

A ida do mano para escolinha está a dar-lhe agora o que o irmão teve até ela nascer, a atenção indivisa da avó que tendo menos um xisbunhirgo a seu cargo já tem mais facilidade em levá-la a passear!

Com o mano brinca agora à noite um pedacinho. Este tempo separados também lhes vai fazer bem. Por um lado o Samuel dá mais valor à presença da irmã e não se chateia tanto com ela (o que acontecia às vezes por saturação quando passavam o dia juntos, sem mais meninos). Por outro a Juju recebe mais mimos da avó que tem agora mais tempo para ela, nesta fase de começar a andar e desenvolver o equilibrio.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Como seria de esperar...

... hoje foi mais complicado ficar na "minha escola" como o Samuel já lhe chama. Chorou e chorou e nem com chucha se calava... mas lá ficou e o choro há-de passar.... Afinal aquilo sempre tem coisas giras e um parque enorme com escorregas e casinhas e brinquedos muito fixes!

Parece-me que o Samuel anda com sentimentos mistos, por um lado até gosta da escolinha, todas as novidades giras, até o almoço ontem correu bem: "o que comeste ao almoço?" perguntei-lhe ontem à noite "esparguete, num prato cor-de-laranja, o prato azul é do João"!

Hoje de manhã "quero ir lavar os dentes!" depois na casa de banho, "com a escova do elefante", "mas a escova do elefante não é de cá de casa", respondi-lhe, "não, é da minha escola!" respondeu com convicção!

Por outro lado custa-lhe saber que o pai e a mãe não vão lá estar, nem a irmã, nem a avó a quem está acostumado, mas é como dizem: "quem não sente não é filho de boa gente!" E o Samuel sente, é claro que sente, que algo está a mudar na sua vida. É natural que esteja amedrontado, mas irá ultrapassar esse medo, que afinal todos nós (até mesmo adultos) sentímos quando algo muda na nossa vida, mesmo até sabendo que mudamos para melhor!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Update ao primeiro dia na escolinha!

Reunião até às 12h30, saio a correr ainda antes do fim da dita, tiro o carro do parque e percorro os 22 kms até ao infantário a uma média de 160 kms/h.

A meio do caminho ligam-me. Não atendo vou depressa demais para pegar no telemóvel...

Acabo de estacionar em frente ao infantário o telemóvel toca novamente, era o Bruno, tinham ligado do infantário... depois do almoço o Samuel adormeceu e estava a fazer a sesta com os outros meninos, se eu não podia passar por volta das três a apanhá-lo para o deixar dormir descansado....

Tarde demais, já lá estava! Voltei para trás, portanto sem Samuel. às 16h00 vão lá buscá-lo a Téta e o Pedro, vamos ver como se porta, e mais importante a ainda como será amanhã?

Quero ir pintar!!!

Conhecem aquelas histórias de birras e choros, lágrimas a escorrer por faces pequeninas e grandes, e maquilhagem esborratada e coiso e tal...?

Então ia eu preparada para tudo, para o momento da despedida quando deixaria hoje o Samuel na escolinha... Para tudo... menos para um "Adeus mãe!" deslavado, um bejinho a correr e depois, para a educadora, "Quero ir pintar!" E toca a virar-me costas!

Assim é que eu gosto amor, de te ver empenhado em aproveitar a escolinha ao máximo, logo no primeiro dia!!! "Então afinal aqui não se pinta? Não se brinca? Que treta é esta de estar aqui a olhar para a mãe!"

Hoje à hora do almoço vou lá buscá-lo, não convém deixá-lo logo de rompante o dia todo, e também porque estou em pulgas para saber como ele se portou!

O meu rapazinho grande!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

É já daqui por dois dias!

É já daqui por dois dias que o Samuel vai iniciar-se na sua escolinha! Já sabemos que vai ser um período de adaptação, que nem tudo vão ser rosas, mas tanto os papás como o xisbunhirgo sabem que vai começar uma fase importante na sua vida! A adaptação ao um meio escolar, ainda que pré-escolar no caso, é um ponto de viragem. Marca o fim do Samuel bebé e o início do Samuel rapazinho! E, como em todas as alturas de mudança na vida, há que aprender a fazer a transição. Sabendo que não é sempre coisa fácil mas que os proveitos ultrapassam em muito as dificuldades que teremos de superar!

Por isso, vão fazendo figas por nós que estamos prestes a dar um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para um xisbunhirgo!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A importância de questionar!

"Tende confiança não no mestre, mas no ensinamento.

Tende confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.

Tende confiança não na teoria, mas na experiência.

Não acrediteis em algo simplesmente porque vós ouvistes.

Não acrediteis nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.

Não acrediteis em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.

Não acrediteis em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não acrediteis no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.

Não acrediteis em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.

Mas após contemplação e reflexão, quando vos aperceberdes que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então aceitai-o e fazei disto a base de vossa vida.
"

Gautama Buddha - Kalama Sutra

Este é um dos textos mais impressionantes do Budismo, digo que é impressionante pois não é muito comum que um mestre, profeta ou sábio venha dizer abertamente: "não acreditem nisto simplesmente porque sou eu quem o diz, ou até mesmo porque há muitos que também concordam comigo!"

No fundo o que está por detrás disto é a demanda da verdade. E se a verdade é apenas percepção (a nossa) então faz mais sentido que nos ocupemos a questionarmo-nos sobre o que é a nossa percepção. Para através da reflexão acharmos algo que nos faça sentido interiomente apesar de ser ou não a doutrina de muitos ou de alguns de monta.

Daí que tenham ao longo dos tempos sido tão perniciosos os auto-proclamados arautos da verdade, da religão, da política e da justiça. Que nos indicam algo como sendo intrinsecamente bom sem que nos darem sequer a possibilidade, liberdade e por vezes até o conhecimento necessário para questionarmos os seus postulados. Exemplos disso há muitos, uns mais subtis que outros.

É tão difícil hoje em dia escapar às influências externas, aos pré-conceitos que desde tenra infância nos são incutidos, mas o ser difícil não o torna menos essencial para que consigamos perceber o que realmente importante para nós. Com que objectivo respiramos, caminhamos e trabalhamos neste mundo. E para isso é preciso que percamos toda a bagagem que vimos trazendo atrás deste crianças, e isso é na prática impossível. Assim sendo, não podendo escapar-lhes, o melhor que temos a fazer é questionar incessantemente essas influências, questionar incessantemente os nossos motivos, pois eles são tantas vezes resultantes delas.

"A vida sem reflexão não merece ser vivida." dizia Sócrates, não merece, nem é verdadeiramente vivida, digo eu! Porque afinal se não pensarmos por nós próprios estaremos apenas a viver por procuração, a viver a nossa vida pelas reflexões que outros tiveram, ou afirmaram ter tido por nós.

Por tudo isto adoro a insistência com que o meu filho me questiona todas as afirmações e ordens, como todas as crianças em geral o fazem tão bem nesta idade. Tenho sempre a sensação de que está entre o hedonismo e a irreverência e a interiorização daquilo que do que eu lhe digo que lhe interessa verdadeiramente acatar por saber que é bom para ele, por conseguir finalmente fazer algum sentido para ele o que lhe tenho ensinado.

É complicado, eu sei, gerir toda esta aparente vontade de contrariar tudo e todos, e que são mais as vezes em que ele não encontra o sentido e simplemente toma uma atitude porque lhe apetece, sem pensar nisso. Mas o que eu acho verdadeiramente gratificante são as vezes em que ele o faz por ter chegado a uma conclusão, gratificantes por serem tão raras!

Mas acho que é importante as crianças sentirem que nos podem questionar e contrariar. É agora que começam a afirmar-se como individuos e se lhes negamos todas as oportunidades de o fazer ou se revoltam ou, por medo ou perguiça, aceitam sem questionar tudo o que lhes dizemos. Nenhum destes casos é o ideal.

O que gosto de ver acontecer no meu filho é a sua verdade a vir ao de cima, ainda que por breves momentos. A expressão nos seus olhos quando se apercebe por exemplo que consegue magoar a irmã e chatear-me a mim de uma assentada só, mas chega também à conclusão que faz muito mais sentido não o fazer e volta atrás, mesmo que não peça desculpa. Adoro as poucas vezes que o vejo parar antes de começar a portar-se mal, ou pouco depois de o ter feito. Há tantas perguntas naquela cabecita loura, tantas a que eu não posso sequer responder, porque a resposta tem de vir de lá, o díficil é lembrar-me que para que ele a encontre terá por vezes de fazer algo que não devia e sofrer as consequências que daí vierem.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Consulta 12 meses da Juju!

Finalmente (no sábado passado) fomos à consulta dos 12 meses da Julinha!
Está excelente e recomenda-se, já come de tudo e mastiga muito bem com os seus 7 dentinhos lindos! Ao nível do desenvolvimento motor está porreinha, um destes dias deve estar a andar sózinha!

Pesa 9,800 kg Percentil 50
Mede 78,5 cm Percentil 75-90

É uma pernilonga ligeirinha!

Depois da consulta fomos dar uma voltinha até Sesimbra e até estivemos na praia e tudo, com direito a grandes rebolanços na areia, boleia no carro do Noddy para o Samuel e um geladinho à beira-mar (para o Samuel também que os papás não podem).

De saúde portanto os meus xisbitos estão excelentes, bem melhores que a mamã que na última vizita ao Sr. Dr. levou no proverbial toutiço por estar assim gorduchinha (20 kg a mais) e ter o colestrol bem acima do que deveria estar

Resultado: dieta imediata para os papás, ah sim porque o pai "Bluno" é solidário (à força ) com a Mamã "Caquela".

No domingo convidei os meus pais e o meu irmão para almoçar lá em casa, tendo antes já indicado que tinhamos entrado em "modo dieta", e a minha adorada família o que faz? Trazem bolos, bolinhos, gelados, bejecas e marisco para a festa! Ainda bem, foi o derradeiro teste à nossa força de vontade (eu passei, o Bruno... bem não diria que chumbou mas safou-se por pouco).

sábado, 27 de outubro de 2007

Halterofilhismo!

Conhecem o desporto preferido do meu maridão? Correr faz mal aos joelhos, nadar faz mal aos ouvidos, a aeróbica é para maricas. Os homens verdadeiros, os de pêlo no peito e coiso e tal... esses fazem:

Halterofilhismo! (qualquer confusão com halterofilismo não é pura coincidência)

O desporto como o próprio nome indica pressupõe a procriação prévia e, posteriormente, a utilização da prol como halteres. O halterofilhismo encontra bastantes adeptos também entre desportistas femininas que são ainda e em exclusivo as praticantes da modalidade "halterofilhismo interno" que implica o levantamento e transporte do referido haltere a full-time por cerca de 9 nove meses, durante os quais o peso vai sendo incrementado. Esta modalidade é empreendida por corajosas desportistas que após um ou mais rounds de prática passam depois á prática do halterofilhismo externo.

Parabéns LopesCa!

Não pude comer o bolo... com pesar que parecia estar delicioso, mas "hèlas docteur oblige"! No entanto aqui fica o meu beijinho electrónico atrasado... pelo menos o beijinho verdadeiro foi entregue a tempo e horas!

Ora então aqui vai sem mais delongas:

Parabéns LopesCa!


terça-feira, 23 de outubro de 2007

Lidar com a violência

No seguimento de um post da Margarida, dei por mim a pensar num assunto que me preocupa, tanto como mãe como como ser humano.

A forma como lidamos com a violência, em especial a que nos é dirigida é, quanto a mim, o melhor indicador do quanto crescemos como pessoas. Resolver rapida, eficaz e de uma forma justa uma situação de violência é uma habilidade essencial numa sociedade onde por vezes ela é tão constante.

Quanto a mim saber lidar com a violência pode dividir-se em saber aplicar dois conceitos essenciais:

1. Reagir apenas quando necessário;
2. Reponder apenas em defesa própria e com uma força adequada à força utilizada por quem nos ataca.

1. Reagir apenas quando necessário.

Aqui podemos enunciar dois sub-princípios:

1.1 Nunca entrar num confronto do qual nunca poderemos sair a ganhar.
Não vale a pena esforçarmo-nos para ficar na mesma ou pior. Uma batalha evitada é uma batalha ganha!

1.2 A reacção quando necessária deverá ser o menos esgotante possível do nossos recursos. Um antigo sábio chinês Sun Tzu, que escreveu "A Arte da Guerra" disse que "lutar e vencer todas as batalhas não constitui excelência suprema, a excelência suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar."

2. Defesa legítima com força legítima

Em caso de agressão é importante sabermos defender-nos, mas o mais complicado é determinar com que força é legítimo responder a um ataque e evitar que o calor do momento nos leve a utilizar mais força do que a necessária para fazer cessar a violência de que fomos alvo.

Por exemplo, se nos derem um estálo na cára não é lícito responder com uma facada, se nos ofenderem não é aceitável que dêmos um tiro a quem nos ofendeu, estes exemplos são fáceis de entender mas na vida real a linha é bem mais ténue e complicada de achar.

O ideal é que a noção que "os erros dos outros nunca justificam os nossos" nos seja tão clara como o ser necessário e legítimo agirmos em nossa defesa.

Isto é "eu não estou a bater porque me bateram, eu estou a defender-me para que não me voltem a bater", é apenas neste contexto que uma resposta violenta é válida, como defesa e em último recurso.

Para além disso é também importante saber prevenir a violência e evitá-la. Resistir não violentamente pode ser muito eficaz, como nos provou Gandhi. Responder não violentamente à violência é como deitar um balde de água na fogueira, responder-lhe com mais violência é apenas deitar mais achas na dita.

Nisto tudo há que exercitar a cabeça num constante pesar de prós e contras, num manter da racionalidade por vezes tão difícil nos tempos que correm e saber escolher o melhor caminho para a resolução dos conflitos que não se podem evitar.

Saber lidar correctamente com a violência, saber valorar justa e eticamente as posições que tomamos e as dos outros é um processo de aprendizagem que começamos desde que nascemos.

Não subscrevo a teoria do "bom selvagem", pessoalmente acho que há desde o primeiro momento algo em nós que nos incita a sobreviver a todo o custo. É um instinto animal, amoral, que coloca acima de tudo a nossa própria existência e bem estar.

À medida que vamos crescendo interiormente, vamos aprendendo a aceitar esse instinto e a saber controlá-lo porque se torna cada vez mais claro que o nosso bem estar, a nossa sobrevivência e no fundo a nossa felicidade apenas são alcançáveis em sociedade e aqui importa, e muito, que haja justiça e que todos possam de forma igual garantir a sua própria felicidade. Isto porque em sociedade o meu bem-estar não está acima do de mais ninguém, nem abaixo!

Ao compreender isto, parece-me fácil perceber porque têm as crianças por vezes reacções ou acções tão violentas. O que tradicionalmente nos choca por termos sucumbido ao estigma da criança "inocente e boazinha".

Há que entender que a criança apenas está a expressar as suas necessidades de garantir aquilo que ela vê como necessário para a sua felicidade e e bem estar. E que nem sempre tem, porque tem de aprendê-los, mecanismos não violentos de fazer valer a sua pretensão.

A frase "Quero este brinquedo porque gosto dele e ele é importante para mim, por isso se mo tentares tirar bato-te!" é perfeitamente lícita aos olhos de uma criança, mas é preciso ensiná-la que a sua relação com os outros é mais importante que a sua relação com o brinquedo e como tal deve controlar o instinto de não partilhar o brinquedo e aprender a substituí-lo pelo prazer de ter companhia nas suas brincadeiras.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Aaaaaaaargh!

Hoje o dia começou bem.

10:30 Marido recebe pedido de assistência com urgência e tenho de levar os putos sózinha para casa da avó.

10:40 No carro. Luz acende em conjunto com um apito sonoro irritante e surge uma mensagem extremamente assustadora no display do carro "defeito no motor"!!!!

10:42 Paro na bomba para olhar para o motor. Nada visível a olhos leigos (o motor não parace estar prestes a explodir, o nível do óleo, a água e a temperatura do motor parecem bem). Fecho o capôt e seguimos viagem a 90km/h não vá o diabo tecê-las que o gajo é bom tecelão! Putos ligeiramente assustados, mãe em pânico (controlado, mas pânico).

11:20 Chegamos a casa da avó e descarrego putos e respectiva parafernália.

11:40 Volto ao carro e a filha-da-mãe da luz volta a acender e a mensagem cruelmente vaga e estupidamente petrificante volta a surgir no visor. Sigo para o local de trabalho a uma média de 70km/h.

11:50 Enganei-me na saída e vou dar uma voltinha à Póvoa de Sta Iria (já devia estar em Sacavém)

12:20 Estaciono a viatura demoniacamente possuída no parque e dirigo-me para o local de trabalho. Ao abrir o porta-bagagens reparo que me tinha esquecido do portátil em casa... sem stress!

12:30 Trabalho. Os problemitas do costume têm hoje um sabor especial, parecem tão irrelevantes e pequeninos comparados com o terror da manhã e a impendente questão do motor da viatura que poderá resultar num encargo financeiro ainda mais assustador.

16:00 Ligo para a oficina a saber se aquilo é coisa grave e quando me posso lá deslocar com a viatura. Após breve descrição da luzinha e mensagem demoníaca sou informada de que convém ver o que se passa mas pode ser uma válvula do motor que dá uma leitura incorrecta. Inserir aqui suspiro. Marcada hora para entrega da viatura para diagnóstico na próxima quinta feira, se a coisa não piorar até lá!

17:30 Ligo a marcar uma hora no médico para ir mostrar as análises e colocar um implante subdérmico (aquele que devia ter posto depois do Samuel nascer e cuja falta apressou a vinda da Ju ) e fico a saber que terá de ser na quinta, no mesmo dia que o carro vai para a oficina. Excelente! (ler a última frase com extrema ironia)

17:38 Vou ali beber um cházinho de tília para me acalmar e já volto.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A Fabulosa História de El-Rei D. Barriga

Num reino distante há umas semanas atrás - ah pois, nem todas as histórias se têm de passar há muito tempo, algumas são assim, mais fresquinhas! Bem, continuando, dizia eu: Num reino distante, ou como se constuma dizer longíquo, há duas semanas atrás foi o dia da coroação de um novo Rei. Isto é, foi quando o Príncipe, a quem sua mãe chamou Barriga, viu o dia chegar em que viria a ser Rei. El Rei D. Barriga!

D. Barriga, já desde pequenino era muito comilão, não havia banquete ou festa em que não o pudessemos encontrar junto das mesas de queijos e sobremesas a encher a sua real barriga! O dia em que foi coroado não foi excepção. El-Rei D. Barriga não fez senão perguntar várias vezes por minuto ao Primeiro e aos outos Ministros quando é que começava o banquete!

Naquele dia as cerimónias pareciam mesmo que não teriam fim! "Pronto já tenho a coroa na cabeça!" exclamava baixinho D. Barriga, "Podemos agora ir almoçar?".

Desfilavam os pares do Reino, os nobres e os cavaleiros, os bispos e os sapateiros, os juízes e os marceneiros. Todos vinham prestar vassalagem ao novo rei.

Mas, por entre o borburinho da pompa cerimonial ouvia-se ao fundo um rugir. Começou de mansinho mas foi aumentando, cresceu de tal forma até que, qual trovão, o rugido fez eco nas altas paredes do palácio. Assustada toda a corte mirava a barriga do soberano que tremendo som produzia!

Por entre o espanto geral El-Rei D. Barriga levanta-se e afirma bem alto. "Terminou a parada vamos todos dar ao dente! Que comece o banquete real!" E, de um pulo saltou do trono e correu para o salão de jantar. Sentou-se na cabeceira de uma enorme mesa, tão grande que quase não lhe via o fim!

Javalis assados, perus estufados, patos e gansos guisados, arroz de ervilhas, sopa de lentilhas, mousse de chocolate e souflé de abacate! D. Barriga tudo comia! A cada garfada, a cada colherada o espaço entre si e a mesa crescia, e o banquete não mais acabava!

Já tinham passado três dias e duas noites e o rei continuava a comer, o banquete só podia terminar por ordem real e El-Rei D. Barriga só abria a boca para comer. Desde que se sentára que nada mais tinha dito.


(continua... amanhã? assim haja tempo e inspiração )

Já agora aqui ficam os links para outras historinhas, o que me recorda... tenho que actualizar o site

O Menino Lua
A Casa Azul I
A Casa Azul II

domingo, 14 de outubro de 2007

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!


Florbela Espanca

Já disse algures e volto a afimar que a felicidade não é a ausência de tristeza, mas sim a presença de esperança. Por isso sim, sou feliz. Ainda que esteja triste, por vezes. Por saber que nem tudo o que de bom tenho sempre dura. Por ver que às vezes o pó da estrada em que viajamos nos tolda a vista e até do amor que nos movia nos esquecemos.

Que tinha eu nesses tempos de riso solto que agora me falta? Nada! Nada me falta, tenho tudo! Mas tanto do que tenho deixei em parte incerta!

E choro o que perdi, mas ainda tenho... o que de mim escondi ou escoderam!

E escondo as lágrimas que não correm, que me lavam a alma empoeirada, e que me lembram que por baixo da rotina, do pó dos dias e dos meus medos, me bate ainda no peito o meu motor, aquele que me trouxe aonde estou! Que anda empoeirado e tosco, mas sempre comigo o meu Amor.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Missão cumprida...mais ou menos!

Bom, a porta está instalada, e que linda que ficou, após horas de árdua labuta do Bruno e do nosso vizinho Tó (um trabalho em equipa!).

Mas para nossa tristeza suprema a máquina para a qual há agora espaço subejante na despensa não passa na ombreira da porta da dita! Não havendo portanto forma de colocar a máquina no espaço que lhe estaria reservado. Mas como nunca há espaço a mais numa despensa aproveitámos para por mais umas prateleiras e voilá temos uma despensa toda arrumadinha e limpinha e com uma porta muito gira!

Embuída de todo este espírito renovador, arrumador e limpador corri a cozinha e o escritório com o mesmo tratamento e isto tudo no último dia de férias, inteligente não?

Resultado: em vez de fresca e repousada para o trabalho chego derreada e a precisar de pelo menos 48 horas de "dolce fare niente" que obviamente me são totalmente impossíveis!

Mas pelo menos foram produtivas, as férias!

E para, entre outras coisas, poderem apreciar a bela porta aqui têm uma pequena visita guiada Chez Xisbunhirgos!

escrito às 14:25

domingo, 7 de outubro de 2007

Hoje é dia de bricolage!

O último dia da nossa última semanita de férias deste ano e vamos passá-lo a colocar uma porta de foles na despensa e a instalar na dita a máquina de secar que tem estado na arrecadação, para onde - podem imaginar - não é exactamente fácil transportar roupa molhada para secar!

As benditas portas de foles são uma excelente invenção, o espaço que eu vou poupar na minha despensa, vai permitir não apenas colocar lá a máquina de secar roupa mas também uma estante de prateleiras para mais arrumação.

Os próximos projectos são uns armários de parede para a cozinha e iniciar o processo de "des-atravancamento" do escritório.

Bom, tenho imenso que fazer! Um esplendoroso domingo para todos!

sábado, 6 de outubro de 2007

Eu e as palavras...

Desarticulada

Fogem, loucas - as palavras,
lançando-se no vazio,
Intrépidas!

Perseguem-me, deixam-me,
Salvam me!

Sussurram, gritam, cantam,
Amam!

Soluçam, gemem , sofrem
Trémulas!

Dançam, lânguidas
Como labaredas, consomem-me!
Possuem-me!

Murmuravam baixinho
não sei bem o quê,
uma melodia sem método,
quase sem som,
desarticulada...

R. Henriques, 2005

É muito raro ficar sem palavras, no entanto é bem mais comum que as minhas deixem de fazer muito sentido.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Primeiros passinhos!



A Julinha já dá uns passinhos, ainda pela mão, mas uns passinhos jeitosos!

Aqui podem ver o lindo bolo de anos que a tia "Lília" fez para a Juju e a tia "Xofia", não tá demais

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

sábado, 29 de setembro de 2007

...o insistente perfume de alguma coisa chamada amor

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam p'ra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.

Sempre gostei deste poema, pela verdade que enuncia desde o seu início e pela esperança com que terminam as suas últimas quatro linhas.

Ufa... valeu para susto!

Afinal sempre tinha ficado no supermercado, na caixa! Recuperei tudo, cartões, carta, BI, cheques... dinheiro não tinha mas espero que o Bruno, que a foi lá buscar, tenha dado qualquer coisinha às caridosas almas do Modelo!

Ainda bem que não tinha ainda ligado ao banco!

Agora perdoem-me que vou ali dar umas cabeçadas na parede para ver se me curo de ser assim tão tonta e despassarada!