quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Recomeçar!

Recomeçar, mas não do zero! Recomeçar partindo de tudo o que já aprendemos. Para utilizar um paralelo budista esta nossa aventura será semelhante a uma reincarnação em que a experiência e sabedoria adquirida na vida passada não foi apagada. É uma nova vida mas onde aproveitamos o que havia de bom na vida passada. É assim que me sinto, reincarnada em mim própria com uma nova vida pela frente mas com plena memória da anterior.

Fizemos uma viagem relativamente calma, em que os xisbitos dormiram à vez nos voôs, que nos trouxe aos 4 mais 76 kilos de bagagem segura e tranquilamente até Düsseldorf. Partimos de Lisboa cerca das 17h00 de domingo passado. Chegámos a casa (na Alemanha) era já quase meia noite, com a ajuda de um taxista grego altamente poliglota (o homem era fluente em grego, alemão, russo, romeno, francês, italiano, espanhol e inglês!).

Na segunda feira de manhã e eu Samuel fomos visitar o seu novo kindergarten, onde vai começar na próxima semana a ficar de manhã, será aqui que irá travar contacto com o alemão, a adaptação vai ser morosa e preveêm-se algumas lágrimas mas dentro de poucas semanas o meu pequenito já me vai poder dar umas aulitas de alemão!

Algumas fotos no aeroporto e uma beijoca de despedida da prima Babita!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tudo a postos!

As minhas duas grandes e vazias malas estão aqui comigo, e voam para Portugal hoje por volta das 18h00. Vão vazias para trazer o resto da nossa bagagem de volta no domingo. E eu, tal como as malas, vou também vazia. Mas ao chegar vou encher-me por dentro e desta vez vamos, eu as malas, voltar para Alemanha cheias, completas!

Quanto ao resto dos preparativos está tudo a postos, o pequeno apartamento temporário está à espera dos seus novos habitantes, um simpático kindergarten tem uma vaga à espera do Samuel, que vai lá poder contar com a preciosa ajuda de uma das educadoras que é portuguesa (também têm uma espanhola, uma italiana e outra grega). A Júlia tem também uma simpática ama à sua espera, que vai ficar com o Samuel à tarde também, para não ser um choque muito grande entrar logo o dia todo para o kindergarten.

O sítio (bairro) onde fica a nova escolinha é muito giro e típico, quase rural. Andei ontem a passear por lá e gostei bastante. É calmo, cheio de miudos e mamãs a passear com os seus bebés. Completamente sem arranha-céus ou prédios dormitório, as ruas são de calçada e a praça central tem uma bonita igreja. Parece quase uma aldeia pequenita, rodeada por hortas e pequenos campos de cultivo, mas fica apenas a 20 mins de electrico do escritório. e do centro cosmopolita da cidade.

Agora que já temos a vaga na escolinha para o Samuel, vamos começar a procurar um apartamento porreiro para nós nesta zona. Estamos cheios de sorte, até lá há um restaurante luso-espano-brasileiro

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Como enfiar uma família xisbunhirga num T1 de 60 m2?

Pois... é mais ou menos como enfiar um elefante num mini, mas faz-se!

Os xisbitos já têm o seu cantinho na sala e os papás dormem no único quarto. Não é ideal mas será apenas por dois meses e sempre é melhor do que fazer mudanças por 2 vezes (daqui para outro apartamento também mobilado mas maior e desse para o nosso apartamento final com os nossos móveis - o que só acontecerá em Janeiro).

Assim sendo vamos ter uma aventura, os pequenos acampam nestas jeitosas camitas insulfáveis que ficam escodidas num cantinho da sala.

E também já temos pronta a cadeia de comer da Juju.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Arranjar o ninho!

Cá andamos nos últimos preparos: a fazer o belo do choradinho nos kindergartens à procura de vagas; a tentar perceber como nos vamos enfiar os 4 em pouco mais de 60m2; a planear a viagem; a procurar um novo apartamento e a trabalhar que nem loucos. O Bruno tem de deixar a casa arrumada no emprego, "passar a pasta" e tal, eu tenho uns quantos novos projectos a arrancar e tenho de ver se começo as aulitas de alemão.

Hoje, numa visita a um kindergarten, devo ter dado vários nós na língua mas lá consegui dar uma arzinho da minha graça em alemão. Lá disse os nossos nomes e as datas de nascimento e repondi a algumas perguntas sem recorrer à tradução para inglês. Seria tão mas tão porreiro que o simpático Herr Walter arranjasse um lugarzinho para o Sam! O kindergarten fica a menos de 10 metros do nosso actual apartamento e é também muito perto do escritório!

Infelizmente para a Ju a coisa é mesmo negra, pelo menos até fazer os 3 anos. No kita onde estive hoje eles só têm 15 vagas para miudos com dos 12 aos 36 meses e são muito poucos os sítios que tem vagas para menores de 3 anos. Diz o Herr Walter que tem 50 inscrições para uma só dessas 15 vagas! Bom mas pelo menos se o Sam entrasse a Júlia já teria muito mais probabilidades de entrar nem que fosse apenas para o ano e, no entretanto, arranjamos lhe uma tagesmutter (ama), há até algumas aqui que falam portugues.

Lá fizemos eu e a senhora da agência o choradinho do costume, jogámos a carta do somos católicos (baptizados e casados pela Igreja e tal) pois este kindergarten pertence à Caritas local. Afirmando que como a nossa vinda para Alemanha não será apenas temporária, queremos que os miúdos aprendam alemão e integrá-los num kindergarten alemão é essencial para que possam depois entrar na escola já falando correctamente a língua, blá, blá, blá. Bem, no fundo o simpático Herr Walter não se quis comprometer mas deixou mais ou menos claro que arranjar um lugar para o Samuel não seria muito complicado, há sempre putos a sair, famílias que mudam de casa etc, pode ser que se consiga algo... façam figas!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Em busca de um kindergarten!

Hoje de manhã, acompanhada por uma simpática senhora da agência que está a tratar do nosso processo de vinda para a Alemanha, fui visitar um Kindertagesstätte o que basicamente se traduz por "centro de dia" para crianças, já que os kindergartens (literalmente "jardins de crianças") tradicionalmente por aqui funcionam apenas até à hora de almoço. Sem grandes esperanças de obter vagas para ambos deixei a ficha de inscrição preenchida e estamos na "lista de espera".

Agora será necessário repetir o processo em tantos kitas quantos possíveis e aguardar. Outra hipótese será tentarmos a rede, bastante extensa por sinal, de kindergartens/kitas que pertencem à caritas diocesana daqui, jogado a carta do olá somos uns tugas simpáticos e católicos e gostávamos que os nossos filhos pudessem ter uma educação católica. A ver se arranjamos umas vagas mais depressa por aí. Não que eu seja praticante ou até mesmo crente, mas não me oponho a que os míudos tenham uma educação religiosa, pelo contrário - penso que devem poder tê-la para conhecerem e poderem optar, tal como eu fiz.

Mas no fundo, a verdade é que a esta altura do campeonato para arranjar vagas num infantário eu até prometo ir à missa todos os domingos, confessar-me, comungar e rezar o terço 1 vez por semana! (Sem ofensa a quem o faz por convicção).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mais do que mil palavras!



Entretanto... já cá estou no fresquinho de novo, tenho imensas coisas para tratar e trouxe dois sacos cheios de camisolas de lã e adereços invernais que já me começavam a fazer falta por aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

24 meses de Júlinha!

Com tanta coisa boa a acontecer e com a sorte finalmente a olhar para mim com um daqueles sorrisos pepsodente, não queria entristecer-me com o facto de ter passado o dia do segundo aniversário da minha xisbunhirga Júju sem poder estar fisicamente com ela. Não queria... mas é inevitável. É claro que amanhã já estou com ela, mas custa, especialmente por me recordar, o que acontece sempre nos aniversários dos xisbitos, do dia em que ela nasceu. Tive também de superar nesse dia (há 2 anos atrás) a nossa primeira separação. Ela teve de ir para uma encubadora por estar com difculdades respiratórias (não drenou bem o líquido dos pulmões consequência da cesariana) e eu depois de 9 meses sem um único momento em que a não tivesse comigo tive de separar-me dela durante uma noite, que até hoje guarda o record da noite mais dífcil que já passou por estes 32 anos.

Esta noite vai ser bem mais fácil ainda assim... já tenho a mala quase pronta, cheia de prendas que fui comprar hoje quando saí do trabalho. Resta-me dar um jeito na roupa, jantar, lavar a loiça e dormir. Coisas mundanas que me vão distrair e adormecer. Amanhã a manhã vai passar a correr e até as 4 horas de viagem me vão parecer poucos minutos comparados com estes dois meses sem poder abraçá-la.

O estar longe faz que passem coisas estranhas pela minha cabecita de mãe... é mais díficil suportar a noção de que eles sentem falta de mim, do que ter forças para ultrapassar a falta que eles me fazem. Mesmo sabendo que quem está sózinha sou eu, e que eles estão muito, muito e bem acompanhados. A lógica e a matemática não entram nestas equações de divisão geográfica familiar, mas a partir de amanhã tenho 4 dias para acertar as contas. Voltar na segunda ainda sózinha vai custar, mas será uma dor com dias contados - 24 dias para ser exacta. Dor com morte anunciada e adormecida por todos os preparativos que tenho de fazer para a vinda deles, 24 dias que comparados com os últimos 64 vão parecer canja!