Eu e as palavras...
Desarticulada
Fogem, loucas - as palavras,
lançando-se no vazio,
Intrépidas!
Perseguem-me, deixam-me,
Salvam me!
Sussurram, gritam, cantam,
Amam!
Soluçam, gemem , sofrem
Trémulas!
Dançam, lânguidas
Como labaredas, consomem-me!
Possuem-me!
Murmuravam baixinho
não sei bem o quê,
uma melodia sem método,
quase sem som,
desarticulada...
R. Henriques, 2005
É muito raro ficar sem palavras, no entanto é bem mais comum que as minhas deixem de fazer muito sentido.
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