sábado, 6 de outubro de 2007

Eu e as palavras...

Desarticulada

Fogem, loucas - as palavras,
lançando-se no vazio,
Intrépidas!

Perseguem-me, deixam-me,
Salvam me!

Sussurram, gritam, cantam,
Amam!

Soluçam, gemem , sofrem
Trémulas!

Dançam, lânguidas
Como labaredas, consomem-me!
Possuem-me!

Murmuravam baixinho
não sei bem o quê,
uma melodia sem método,
quase sem som,
desarticulada...

R. Henriques, 2005

É muito raro ficar sem palavras, no entanto é bem mais comum que as minhas deixem de fazer muito sentido.

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