segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Festinha 11 meses e a "petite cousine"!

No Sábado passado a Ju fez onze mesinhos, houve festarola e almoço onde os Xisbunhirgos brincaram muito com a priminha francesa, a Azalis!


Samuel, Azalis e Ju (da esquerda para a direita)


O Samuel, o meu pequeno linguista, aprendeu em apenas um dia a dizer "Bonjour", "Au revoir", "À bientôt" e "Oui-Oui" (nome francês do Noddy). A Ju e a Azalis entenderam-se às mil maravilhas, afinal com apenas 1 mês e pouco de diferença (a Ju é a mais novita) ainda falam a mesma lingua (gu, dá, ti, gô)!

Depois ainda houve tempo para a festinha de anos do amiguinho Pedro que recebeu do Samuel a sua prendinha favorita, um robot. Resultado, Samuel brincou com o pai do Pedro (até jantou ao seu cólo) e o pai do Samuel ajudou o Pedro a montar o robot LEGO. A Ju, brincou debaixou da mesa, brincou no chão e ao cólo até que finalmente caiu na cama!

No Domingo, cheio de saudades da vovó Carlota o Samuel decidiu que queria ficar lá com ela, mesmo depois de alertado para o facto de que os pais e a mana se iriam embora, e ele ficaria sózinho com os avós. "Sim, boa noite! 'té um dia detes..." assim se despediu de nós. Faz-lhe bem ter um dia em que é o centro da atenções da vovó Caló! A a Ju também irá beneficiar de uma avó só para ela (a vovó Lina). Vamos ver logo à noite se o xisbunhirgo já quererá voltar para casa!

Mas também com uma vista destas quem não gostaria de passar a noite em casa dos meus papás?!

domingo, 2 de setembro de 2007

Finalmente o site das histórinhas (ainda em construção)



O título do site é o "Menino Lua e outras Histórias", bem... eu avisei que não sabia o que lhe havia de chamar

Para já apenas está disponível uma histórinha, tenho ainda 2 para carregar.

Aceitam-se e agradecem-se sugestões, críticas e similares!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A casa azul (continuação)

(primeira parte aqui...)

Um dia a Vida brincáva alegremente correndo à volta da casa azul. Enquanto o Sonho conversava com o seu amigo ouriço caixeiro, que invariavelmente se queixava do ruído das andorinhas e de como elas eram desarrumadas.

Quando à tardinha a D. Felicidade os chamou para lanchar, Sonho procurou a irmã, mas não a encontrou. "Pára de brincar às escondidas Vida que a mãe já chamou para o lanche!" Mas a Vida não ouvia o irmão, estava bem longe numa clareira onde flores brancas e amarelas dançavam com o vento. Ela dançava com elas e ria, sem se lembrar que era já tarde.

Já triste e preocupado Sonho procurou a mãe e contou-lhe que não encontráva a irmã. "Não andará longe!" reconfortou-o a D. Felicidade, pouco segura das suas palavras. "Vamos procurá-la os dois!"

O Sol passou pela porta da casa azul, como fazia todos os dias a caminho do seu descanso, mas não encontrou ninguém a quem dizer "Boa Noite!". Na clareira Vida começava a sentir-se cansada e com fome e achou que eram horas de voltar para casa. Mas estava a ficar escuro e não tinha a certeza de qual o caminho a tomar para voltar.

Já tinha nascido a Lua quando o Sr. Amor chegou a casa. Não viu a mulher nem as crianças mas pensou que fosse um jogo, como os muitos que costumavam fazer, e procurou atrás da mesa e das cadeiras, silenciosamente. Atrás dos cortinados e debaixo das camas, sempre à espera que saltasse alguém a rir bem alto!

D. Felicidade olhou para o Sonho já cansado e pensou que seria melhor voltar a casa e buscar uma lanterna para achar a filha. Voltava para casa quando encontrou o ouriço que, ao saber que Vida se tinha perdido, se prontificou a ajudar. "Eu encontro-a num instante, sei onde ela gosta de ir passear, de certeza andará lá por perto."

Vida não conseguia achar o caminho de volta para casa, chorava baixinho com algum frio e fome. Porque se tinha ela afastado e estado ausente durante tanto tempo? Subitamente ouviu um ruído na erva alta perto de uma árvore. Cheia de medo escondeu-se atrás de uma moita. "Vida?" Chamava uma voz aguda, "Estás aí?" Reconheceu a voz, era o ouriço. "Sim Sr. Ouriço, estou aqui! Perdi-me e não encontro o caminho de volta para casa, tenho saudades do meu irmão e dos meus pais!"

"Vem comigo" Disse o ouriço, sorrindo. "Chegaremos num instante a tua casa e poderás comer e aquecer-te!"

Ao chegar a casa, Vida viu o seu pai que se preparáva para ir procurá-la com uma lanterna e uma manta. Abraçou-o de imediato pedindo mil desculpas. Todos se abraçaram e se congratularam por estarem novamente juntos.

E assim foi nessa noite que a Vida aprendeu que, por vezes, sem nos apercebermos nos afastamos do Sonho, da Felicidade e do Amor. Mas não devemos esquecer que os amigos, os verdadeiros amigos, sabem sempre levar-nos de volta a casa para junto deles!


por Raquel Henriques

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Coragem, substantivo feminino.

do Lat. cor, coração

s. f.,
firmeza de espírito, energia diante do perigo;
intrepidez;
ânimo;
valentia;
perseverança.

Assim vem no dicionário, mas há outro dicionário para mim, um de carne e osso que muito melhor demonstra o significado de todos os vocábulos acima escritos. Para mim coragem, substantivo, feminino sem sombra de dúvida, pode escrever-se apenas com três letras, pode soletrar-se MÃE.

A coragem, não é ausência de medo, mas sim a capacidade de mesmo tremendo e temendo enfrentar a vida com a cabeça erguida. Isto não vem no dicionário, mas eu sei-o bem por que o vejo há muito nos olhos da minha mãe.

Há cerca de sete anos foi-lhe diagnosticado cancro da mama, disse-mo um dia quando chegava da faculdade, sem rodeios. Lembro-me bem. Sem rodeios, iniciaram-se depois os tratamentos, a quimio e radioterapia e inevitavelmente a operação, a remoção do seio. Não sem medos, mas sempre com coragem e com uma fé inabalável, que não partilho mas admiro.

A minha mãe está hoje em recuperação de uma nova operação, em que lhe foi colocado um pacemaker para corrigir uma ligeira arrítmia cardíaca, nada de tão grave como os sustos anteriores mas ainda assim...

Ligou-me hoje à hora de almoço, preocupada comigo por eu estar com a garganta meio inflamada! Ligou-me de uma cama de hospital preocupada com a minha garganta!

A coragem, não é ausência de medo, mas sim a realização que o amor nos dá daquilo que verdadeiramente importa: apreciar a quem amamos e partilhar com eles a nossa vida, nos bons e nos maus momentos. Partilhar a nossa força e os nossos desesperos! Amparar e ser amparado!

Quem ama verdadeiramente é corajoso, a coragem nasce do amor! Mesmo antes de ser mãe eu própria pude aprender isto com a minha mãe, como sei que ela o aprendeu com a minha avó.

A coragem não é ausência de medo, a ausência de medo é a ignorância. Assim como a felicidade não é a ausência de tristeza, mas sim a presença de esperança!


A avó Carlota e a bisavó Júlia todas contentes!


Já agora aqui fica o link para um post onde se conta a história dos nomes dos xisbunhirgos (lembrei-me por causa da foto)

escrito às 15:15

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A casa azul

A Casa Azul

No cimo de um monte verde, rodeada pelo cheiro das laranjeiras em flor e pelos sons das folhas das árvores a dançar ao vento havia uma linda casinha azul.

Tinha uma porta branca com uma janela, e uma maçaneta dourada que brilhava ao Sol quando, à tardinha, a grande estrela se ia deitar e por lá passava para dizer "Boa Noite!" Tinha duas janelas de cada lado da porta, com portadas de madeira branca que se abriam à noite deixando entrar o luar.

As telhas eram da cor das laranjas do pomar e cantavam ao som da chuva quando vinha a Primavera, felizes porque as núvens as tinham deixado limpinhas para que fizessem nos beirais seus ninhos as andorinhas!

Debaixo de um sobreiro ao lado da casa morava um ouriço caixeiro. Era tímido e gostava pouco das andorinhas barulhentas que esvoaçavam incessantemente em busca de alimento para os seus filhotes. Nos dias quentes de Verão o ouriço dormitava preguiçoso à sombra fresca da árvore e sonhava com ventos mais frescos e com o partir das andorinhas ruidosas!

Nas traseiras havia um poço de água fresca e um estendal com roupa branca a esvoaçar, meninos a jogar às escondidas entre os lençois e um canteiro de flores amarelas e brancas onde, por vezes, poisavam abelhas gulosas à procura de doce para o seu mel.

Lá dentro moravam a D. Felicidade, de longos cabelos aos caracóis e olhos castanhos doces. O seu marido, o Sr. Amor, que à noitinha tocava viola à lareira para fazer dançar o lume. E os meninos que dormiam em duas camas de madeira, uma verde e a outra branca. A verde era dum rapaz que se chamava Sonho e a branca de uma menina, chamada Vida. Eram gémeos, brincavam sempre em conjunto, nunca se separavam, até à noite sonhavam um com o outro.

por Raquel Henriques

(continua aqui)

Mais um pequeno conto da tal colectânea que a malta anda a tentar fazer... e então, cadê as contribuições? E já agora uma sugestão para o nome do site?

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Dedicado a quem sabe viver!

uem morre?

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está
infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta
sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.


(...)

Pablo Neruda


segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O Menino-Lua

Era uma vez há muitos anos, quando eu ainda era criança e tinha olhos e ouvidos de criança, encontrei certa noite perdido o Menino-Lua! Tinha entrado pela janela do meu quarto, de olhos cinzentos e cabelo cor-de-prata, estava com frio e assustado.

"Quem és tu?" Perguntei-lhe, não menos assustada. "Que fazes aqui? Vai-te embora ou eu chamo o meu pai!" E o menino chorava, baixinho. "Perdi-me! Vou todas as noites tomar banho ao mar, e falar com as minhas amigas estrelas. As estrelas do mar, porque as outras não gostam de mim, dizem-me que não as deixo brilhar, que as apago! Não querem estar perto de mim..." E soluçava "Mas, hoje não encontrei o mar, nem as estrelas minhas amigas, nem os peixes!"

"O mar é aqui perto menino, não tenhas medo!" Disse-lhe. "Eu ensino-te o caminho, se me levares contigo a falar com as estrelas e os peixes! Mas não podemos fazer barulho senão acordamos os meus pais, está bem?"

Limpando as lágrimas de prata o menino respondeu-me "Mas tu és uma criança, filha dos homens! Não falas a língua das estrelas do mar, nem a dos peixes! Não sabes voar nos raios de lua! Não te posso levar comigo, desculpa!"

"Tens razão, não sei nada disso" Respondi. "Mas porque não me ensinas tu todas essas coisas? Em troca ensino-te como chegar ao mar. Conheço bem o caminho, vou lá de dia com os meus pais, e tomamos banho nas ondas e brincamos com a areia da praia!"

"Para que queres saber tudo isso, se amanhã de manhã não te irás lembrar nem de uma palavra? Perderíamos tempo e não te serviria de nada!" E deixando cair tristemente a sua cabeça de prata acrescentou: "Os filhos dos homens tem a memória curta, não dura mais do que umas horas, o Sol fá-los esquecer a luz da Lua e apaga-lhes dos olhos os sonhos que a noite lhes traz!"

"Antes de conhecer as estrelas do mar, costumava visitar uma menina de cabelos dourados, como os teus, e olhos verdes da cor da relva ao Sol! Brincávamos e ríamos muito os dois! Ensinei-a a voar nos raios de luar e jogavamos às escondidas nas nuvens!"

"Vês!" Interrompi. "Afinal sempre podemos brincar os dois como brincávas com essa menina! Vamos, ensina-me a voar nos raios de luar e vamos brincar na praia os dois!"

"Mas... tu não percebes! A menina eras tu! Todas as noites que brincámos: esqueceste-as! Sempre que te vinha ver tinha de ensinar-te tudo novamente! Nunca te lembrávas de mim! Por mais que prometesses que na noite seguinte seria diferente, era sempre igual. Quando eu chegáva assustávas-te, depois vias-me triste e querias ajudar-me! E eu contava-te os segredos da Lua e ensinava-te a apanhar os raios de luar..."

"Oh, desculpa-me!" Respondi, aproximando-me dele. Percebi a tristeza nos seus olhos, chorei também por não me lembrar, por nunca me ter lembrado. "Não fiz de propósito, não tenho culpa de me esquecer... Porque não me ensinas esta noite também? Podíamos brincar como das outras vezes!"

"Hoje não tenho vontade de brincar!" Disse o Menino-Lua. "Sei que não tens culpa, mas sei também que o dia virá em que não só não te lembrarás de mim como não me verás quando entrar no teu quarto! Não ouvirás a minha voz nem poderás aprender a brincar comigo! Não quero cá vir nesse dia, por isso não vou voltar. Prefiro conversar com as estrelas do mar e os peixes, eles não podem voar comigo mas nunca se esquecem de mim."

Soluçando abracei-me ao Menino. "Não quero esquecer-me de ti! És meu amigo! Não quero deixar de ver os teus cabelos de prata e ouvir a tua voz a sussurar no meu ouvido!"

"Eu sei!" Respondeu o Menino-Lua "Mas nada o pode impedir. Não fiques triste, não vais lembrar-te de nada! Não vais sentir saudades minhas! E eu voltarei para o mar e brincarei com as estrelas e os peixes, e um dia virei ver-te quase ao raiar da manhã. Virei ver também outra menina a quem estarás a embalar e que, enquanto dormir nos teus braços, brincará comigo nas núvens e conversaremos os dois com os peixes e as estrelas do mar. Até que um dia ela não consiga mais ver-me e me deixe triste e perdido de novo!"


por Raquel Henriques

Este texto faz parte de um projecto de colectânea de contos que andava a preparar para os xisbunhirgos. Mas hoje surgiu-me uma ideia, daquelas malucas do costume. A ideia é criar um suporte digital interactivo para os contos com ilustrações originais, tipo um livro digital. E eventualmente fazer um site para os colocar, para que possam ser lidos por mais meninos. Ok, mais um projecto megalómano meu, mas já que sei que também há por aqui gente amadora da escrita, resolvi publicar este conto meu, na esperança de angariar contríbuições (contos e/ou ilustrações originais) para a tal colectânea!