quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Querer ser mãe!

Não foi assim há tanto tempo que tal como a Lua desta música não encontrava eu vontade divina que me fizesse mãe.

Não são recordações fáceis as desses anos em que a esperança como fénix renascia sempre das cinzas de mais um teste negativo, de cada novo tratamento iniciado, apenas para de novo morrer incinerada por todos os momentos de desespero em que me convencia de que não seria necessário que fosse mãe para ser a mulher que tanto queria ser.

Acredito piamente que não é necessário ser mãe para se ser mulher e que todas as mulheres são mães mesmo que nunca tenham concebido. Mas engendrar um ser nas minhas entranhas era mais do que um projecto de vida, era uma necessidade visceral, que ardia e não se compadecia de nenhuma das minhas racionalizações.

Fogo esse que tantas vezes quis arrancar do peito, quis apagar com lágrimas e abafar contra o peito de quem comigo chorava e sonhava em vão. Conflagração infernal que sem piedade me reduzia a frias cinzas a alma para depois voltar a reacender-se, mesmo quando já eu julgava ter apagado todas brasas e incauta prosseguia com a minha vida.

E tão terrível é esse monstro em nós que quer ser mãe que não há voz que o acalme, não há razão que o ilumine ou amor que lhe feche as chagas. É mais senhor de nós do que nós próprias, a um tempo dá-nos força a outro esgota-nos e esvazia-nos de tudo e sussura baixinho no nosso ouvido que apenas uma coisa nos poderá preencher, que nada menos que um filho poderá fazer-nos sentir completas de novo. Que sedutora é essa voz! Nem as sereias de Homero teriam maior poder sobre os pobres marinheiros gregos do que esta voz que vem dos longos e infímos cordões dos nossos cromossomas tem sobre nós meras fêmeas humanas.

Para quem arde ainda e ouve esta voz imperante e doce desse seu monstro que quer ser mãe fica a frase antiga: "ad astra per aspera", é pelos caminhos mais duros que chegamos às estrelas!

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