quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Para sempre!

Ao ler um post da Sofiap5 lembrei de algo que começou como um comentário no qual tipicamente me alonguei e que deixou de caber na caixa dos comentários e veio aqui parar como post .

Não é impossivel que uma criança de 3 anos entenda o que é a morte. Falo-à no entanto de uma forma distinta da de um adulto. Para uma criança pequena é dificil ter a percepção do definitivo, por isso eles entendem a morte muitas vezes como algo passível de reversão, mesmo que se lhes diga que é para sempre, os pequenitos não são geralmente capazes de entender o conceito de "sempre".

Por outro lado acho que a forma como reagimos à sua natural curiosidade pelo assunto pode ser benéfica se for moderada. Não convem insistirmos em explicar tudo (até porque eles não teriam capacidade de entender correctamente e apenas iríamos frustá-los) nem ser demasiado vagos sobre o assunto ou mostrar um excesso de desconforto em abordá-lo. A morte é algo de natural e as crianças têm uma capacidade instintiva de percebê-lo. Elas não sentirão medo nem apreensão desde que não vejam esses sentimentos nos adultos que as rodeiam (ainda que tal por vezes não seja possivel evitar).

O meu filho recorda ainda a minha madrinha que morreu quando ele tinha pouco mais de dois anos. Sabe que morreu porque lho dissemos usando essa mesma palavra - não vi motivos para o esconder. No entanto por vezes ainda pergunta se a vamos ver, ao que respondemos que não porque a tia já não está em casa. Muito embora não seja religiosa pareceu-me ser mais fácil de compreender a ideia de que a tia está no céu, para sempre. E por isso já não está ao pé de nós. Assim sendo informamos o Samuel que quando as pessoas morrem não podem estar connosco porque estão no céu. É uma explicação sufientemente simples de entender por isso optámos por usá-la. É claro que aqui o mais complicado de perceber para ele, é a parte do para sempre!

Mas daqui por algum tempo de certeza que o Samuel há-de querer saber mais detalhes e nessa altura dar-lhos-emos: daqui por uns anos o "para sempre" será perceptível, a dor e o desconforto já serão questões que lhe irão provocar receio, por isso será essa a altura de sermos totalmente honestos e abordar o assunto mais detalhada e cientificamente. Até lá o excesso de informação que ele não conseguiria assimilar pareceu-me poder fazer mais mal do que bem.

O "para sempre" tal como nós adultos o percebemos só se torna aparente quando a sensação do "tudo é possível" que domina a vida de uma criança, dá lugar a uma percepção menos fantástica e talvez infelizmente mais realista do que é no fundo a vida, e a morte também.

Sem comentários: