segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ser-se mãe a 2.232 km de distância!

A grande questão que surge nas mentes (saltando-lhes rapidamente para os lábios) de quem toma conhecimento de que me mudei para a Alemanha é: "então e os míudos? não estão contigo? que dificil deve ser!..."

Nunca sei muito bem o que respoder sem que pareça totalmente fria e insensível. Mas a verdade é que nem é tão dificil assim! Hoje em dia telefonamos e iniciamos video-conferências pela internet, ou até por telefone móvel, com tal facilidade que ser mãe ou pai à distância não é aquilo que foi para gerações e gerações de emigrantes que durante meses nada sabiam de suas famílias, nem elas deles tinham notícias! Hoje em dia o mundo é uma pequena aldeia e estamos todos a poucos segundos de distância por vários meios de comunicação.

No entanto sou frequentemente abordada por gente que insiste em focalizar a conversa na minha separação física dos meus filhos. Parecem verdadeiramente incrédulos/as de que consiga gerir bem isto de estar tão longe, e eu por outro lado quase me sinto forçada a assumir um pesaroso ar de comiseração pelo facto, como que para evitar ser condenada por criminoso desapego contranatura à minha prol e restante família.

Ora vamos então por pontos:

- já é complicado o suficiente lidar com as saudades que obviamente sinto dos meus filhos e do meu marido sem que tenha de ser constantemente recordada do facto; sendo a separação física algo que não posso colmatar também não é assunto que pretenda discutir a cada conversa, o que não tem remédio remediado está!

- os meus filhos estão excelentemente entregues aos cuidados dos avós, do pai e da restante família pelo que não estou de todo preocupada com o seu bem estar; de facto se algo me preocupa é saber que estão possivelmente a ser estragados com mimos!

- quanto a mim estou bem; entusiasmada com o novo emprego, com as novas perspectivas profisionais; ocupada com o preparar da vinda da restante família e com a minha própria aclimatização a um novo país, cultura, lingua, hábitos, etc... de facto tenho tanto que fazer e tanto em que pensar que quase não tenho tempo para pensar em saudades e tristezas;

- os pequinitos sentem também é claro a minha falta, mas o tempo para eles tem grandezas diferentes das nossas, corre de uma forma diferente, não creio que a minha ausência os esteja a traumatizar indevida ou excessivamente;

- perdoem-me o desabafo, ele não é destinado a ninguém em concreto e não dúvido da melhor das intenções dos que por ele tenham sido visados mas isto já me andava a fazer cócegas na ponta dos dedos, ou era isto ou eu sou alérgica ao sabonete líquido aqui do escritório

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