domingo, 1 de abril de 2007

Meio ano de Júju!

Daqui a cerca de 12h00 fará exactamente meio ano, 6 meses que a nossa Júju, como foi de imediato apelidada pelo irmão nos ilumina os dias!

Na madrugada de há seis meses atrás estava a dormir, por ter de estar no Hospital cedo, pois já tinha a cesariana marcada. Dormia, mas um sono leve de quem tenta conter a ânsia. Não me estarei a pintar de corajosa, mas o parto (em ambos os casos cesariana) nunca me assustou muito, na vertente de ser uma experiência dolorosa... e é, seja de que forma for feito! Racionalizei as coisas e pensei, por mais que doa, há-de ser só um dia, o bebé é para o resto da vida!

Por ver as coisas desse prisma sempre me preocupei mais com o depois e não com o momento de nascer: questionei-me como seria o bebé, se estaria saudável, adaptarmo-nos-iamos bem a ele(a)? - esta última questão surgiu em ambas as gravidezes, ainda que com contornos distintos!

Foi difícil, não a cesariana que correu relativamente bem e estive bem disposta durante todo o processo. Com menção meio patética para ter tido um ataque de comichão brutal alguns minutos depois de me ter sido administrada a anestesia (epidural raquidiana) e durante toda a operação - o que é normal mas não deixa de ser uma sensação bizarra! Chegou a passar-me pela cabeça pedir ao meu obstetra, que estava ocupado com outras coisas (tipo as minhas entranhas) que me coçasse os pés de tal forma aquilo me estava a incomodar!

A Jú nasceu rapidamente, e pude vê-la assim que saíu: é grande, exclamei: já na barriga me parecia assim! Vi-a também enquanto era limpa!

Ok, perguntam vocês, afinal o que foi díficil? Após a Jú nascer tive uma hemorragia um pouco severa, nada de especial mas fiquei ligeiramente anémica. Mas o pior estava para vir... Quando finalmente pudemos eu e ela subir para o quarto e pela segunda vez a puseram no meu peito para mamar (da primeira ela ainda estava meio a estranhar o mundo e mamou bem, mas pouco) a Jú começou a cansar-se e a gemer.

Ao vê-la assim as enfermeiras levaram-na para ser observada pela pediatra e acabou por ficar internada nos cuidados de neonatologia, numa incubadora.

É aterrador não poder sair de uma cama e levarem-nos assim o nosso recém-nascido, é das sensações mais desoladoras que há! Fui sendo informada de que estava tudo bem com ela. Aliás em nada me posso queixar de como fui tratada pelo pessoal do Hospital, pelo contrário! Mas não podia estar com a minha filha e nada nem ninguém me teria conseguido consolar por não poder vê-la!

Passei a noite inteira em extrema ângustia e considerável dor física também, com imensas contracções devido a ter recebido ocitocina no soro - o que é geralmente indicado após uma cesariana para ajudar o utero a voltar ao sítio e tamanho "normais", mas que desta cesariana ou foi dose reforçada ou eu reagi muito mais, porque da primeira não me senti assim tão mal.

De manhã tentei por 3 vezes levantar-me da cama para poder ir ver a Júlia e não consegui, as dores eram demais e estava muito fraca. Não sei onde arranjei forças para me levantar finalmente, mas tinha de ser, tinha de ir vê-la - falar com os médicos pessoalmente, saber o que se tinha efectivamente passado com ela!!!

Lá fui, empurrada numa cadeira de rodas, mas fui! Pude vê-la na incubadora: dormia sossegada, nada aparentava que pudesse explicar porque ali tinha de estar! Falei com a pediatra de turno, explicou-me que estava ali mais por precaução, porque estava ligeiramente taquicárdica por não ter sido completamente drenado o líquido dos pulmões ao nascer. Situação, fui informada, não de todo incomum em caso de cesariana.

Mais calma, perguntei se podia tentar amamentar novamente, e tentámos, ela no entanto ainda se cansou um pouco, mas não tanto como anteriormente. Voltou para a incubadora e eu impotente sem saber o que fazer para que ela se fortalecesse. Nestas alturas sou racional: não entro em pânico, sei que ao fazê-lo tenho mais hipóteses de resolver os problemas. O pânico e as lágrimas ficam para depois. Perguntei se podia tirar leite para que ela o bebesse no biberão - uma vez que requer menos esforço! Assim fiz, mas ainda não tinha muito - vertia muitas mais lágrimas do que colostro...

Mas vou abreviar a história ela foi bebendo, foi mamando cada vez melhor, foi ficando mais forte e embora nunca a tenha tido comigo no quarto da maternidade tivemos ambas alta 3 dias depois de nascer!

Nunca tinha escrito sobre isto, acho até que ainda hoje deve haver quem me conheça e não saiba que a Jú teve este pequeno percalço ao nascer! Não costumo falar destas coisas, para mim foram ultrapassadas, não volto a vivê-las recordando-as!

Mas hoje senti necessidade de o fazer! Passado que está meio ano sobre tudo isto. Achei que devia olhar para trás e de tudo o que acima descrevi o único sentimento que fica, que perdura e não consigo apagar é o de que faria de tudo, venderia o corpo e a alma várias vezes a qualquer demónio que as quisesse para que a Júlia não sofresse e fosse saudável! Isso sinto ainda hoje, senti-o ao ver também pela primeira vez o Samuel que não tendo necessitado os mesmos cuidados também me pareceu tão fraco e desprotegido quando o vi pela primeira vez!

Isso seria o que tanto me disseram que se chama o tal amor de mãe que iria sentir! Não sei, não sei se pode ter nome algo assim intenso que nos queima e aquece ao mesmo tempo, que nos deleita e nos aterra em simultâneo! Que no mesmo minuto nos enche de felicidade e de temor! Será amor? Será uma reacção química e eléctrica que ocorre em cadeia e ataca todas as células do nosso corpo quando dele se produz um novo ser?! Não sei ainda, teria de parir mais vezes talvez... não, por mais filhos que tivesse não conseguiria dar um nome a tal sentimento! Amor parace-me uma palavra tão pequena perante o que sinto!

É tarde, estou cansada e vou dormir, logo temos festa - a minha Jú faz 6 mesitos, no dia das mentiras! Mas é a mais pura das verdades que ela é a mais doce filha do meu ventre e mais linda do que alguma vez supûs que pudesse vir a ser!

Parabéns Xisbunhirga!

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